Uma profecia que dura 25 anos

Quem sente que precisa responder ao chamado a construir uma economia de comunhão sabe que, para não se perder, deve olhar o mundo do ponto de vista dos últimos 

por Luigino Bruni

do Relatório EdC 2016, sobre a "Economia de Comunhão - uma nova cultura"

N42 Pag15 Luigino Bruni autore

Os carismas continuam no presente a ação dos profetas. Para entender Francisco de Assis ou Chiara Lubich, é preciso pensar, sobretudo, em Isaías, Jeremias, Ezequiel, Moisés. São muito semelhantes, se olharmos bem para eles. Todos encontraram a Voz, escutaram-na, receberam um chamado, uma tarefa, libertaram escravos. Seguiram, pois, aquela voz e cumpriram a própria tarefa por toda a vida e morreram antes de chegar à ‘terra prometida’. Eles a viram somente de longe, porque a terra prometida é sempre dos filhos.

Não entendemos a Economia de Comunhão se não pensamos que esta é expressão do princípio profético do mundo. Quem teve o dom de vivê-la e quem, como nós, a conheceu no mundo nestes 25 anos, viu novamente povos deixarem o Egito, o céu abrir-se e os querubins descerem, um ‘resto’ voltar dos exílios, crucificados ressuscitarem. Nada mais, mas nada menos do que tudo isto. Se tivéssemos sido mais fieis, teríamos visto muito mais milagres, mas, apesar das nossas infidelidades, os milagres nos inundaram. A EdC continuará a ver milagres por mais 25, 50, 1000 anos se continuar a ser profecia.

Mas, para fazer isto, terá que escolher de qual parte olhar o mundo. A cada dia. Podemos julgar a sociedade e as nossas ações colocando-nos no pedestal dos potentes. Dali do alto, vemos o mundo como um grande negócio, onde crescem os confortos da vida, enquanto os pobres tornam-se as escórias, o preço deste progresso. Se, ao invés, escolhermos ser “observadores imparciais” (como Adam Smith) veremos coisas diferentes: julgamos à distância as ações humanas, pronunciamos julgamentos morais, mas não descemos no campo para lutar ao lado das vítimas a fim de diminuir sofrimentos e injustiças.  

O cristianismo deu um grande presente à humanidade quando escolheu como seu primeiro símbolo o crucifixo. Poderia escolher o ressuscitado, mas não o fez. Escolheu, ao invés, o seu ponto de vista: «Tenho um só esposo sobre a terra: Jesus crucificado e abandonado» (Chiara Lubich). Seremos profecia, num tempo que tem uma necessidade infinita dela, se não perdermos este primeiro olhar sobre a terra e o céu.

A EdC e o seu povo, para responder à dor do mundo, olham a partir do ponto de vista das N44 pag15 Povertà rid webvítimas. Fazem-no revivendo em suas vidas o olhar de Chiara em São Paulo (Brasil), quando foi capaz de observar o capitalismo a partir das favelas. Viu também os arranha-céus, mas escolheu as favelas para julgar o sistema. Tomou como metro o descarte entre arranha-céus e barracas.

Esta última escolha de perspectiva não é, jamais, abstrata e separada: se decidirmos olhar o mundo junto com os pobres e rejeitados, não podemos permanecer no pedestal, temos que ir à luta, ao lado das vítimas, combater por elas, com elas. Em troca, receberemos olhos novos, veremos coisas que outros não vêem, às vezes muito feias, outras vezes de uma beleza infinita. A EdC faz isso há 25 anos. Se quiser viver deve continuar a fazê-lo a cada dia mais e melhor.

 

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