Somente os sonhos se tornam realidade: anatomia de um empresário EdC

Entrevista com Ramón Cerviño, pioneiro da EdC na Argentina: o seu estilo de vida, as suas empresas

por Carolina Carbonell

do Relatório EdC 2014-2015, sobre a "Economia de Comunhão - uma nova cultura" n.42 

N42 Pag 07 Carolina Carbonell Autore rid

Não temos qualquer dúvida que Ramón Cerviño é ponto de referência indiscutível para a Economia de Comunhão na América Latina. Argentino, marido de Quela e pai de cinco rapazes (dos quais um está no céu), avô de cinco netos, filósofo e empresário no setor da saúde, está trabalhando na administração de obras sociais, ocupando-se da gestão dos
serviços médicos para todos os afiliados. Em um âmbito totalmente diferente, é sócio da cadeia de restaurantes Sushi Soul. Vive em Córdoba, mas nasceu em Tucumán. Ramon foi um dos pioneiros da EdC.

Como trasmitir a essência da EdC?

Para transmitir a essência, eu acho que é suficiente dizer que a EdC não é uma ideia (é também uma ideia), não é uma escola de pensamento econômico (mas também é), não é... É um estilo de vida que exprime o carisma da unidade nas realidades da economia e do trabalho.

Na EdC há muitas pessoas que participam, compartilham, colaboram, mas você é EdC. Poderia dizer-se que está no seu DNA.

Que fique claro que essas coisas é você que diz, não eu. Eu me apaixonei pelo evangelho redescoberto e vivido por Chiara Lubich. Em 1980 eu encontrei Igino Giordani no então Centro Mariápolis de Rocca di Papa. Ele estava sentado em um banco no jardim, eu me aproximei para saudá-lo, expliquei quem eu era e ele, erguendo a cabeça, olhou para mim, deu-me a mão e disse: "Olá Chiara." Foi um choque, mas eu percebi - não por meu mérito, mas porque eu tinha sido chamado - que eu tinha que ser Chiara, isto é, alguém que exprime com a sua vida este evangelho redescoberto.

Qual é a sua maior conquista?

Começar de novo todos os dias.

E seu maior sonho para a EdC?

Fazer de tudo para que outros possam descobrir a dimensão oculta da EdC, a quarta dimensão, o DNA, de modo que essa seja preservada, latente e viva até que a humanidade seja capaz de processar as categorias de pensamento que tornam possível desenvolvê-la em massa.
N42 Pag 07 Ramon con Gonzalo rid

O que você diria a um jovem?

O convido para participar de uma aventura fascinante, com um horizonte sem limites, para navegar no cosmo submerso na realidade de cada dia.

Alguma experiência sobre como vocês vivem a EdC na empresa?

Eu não sei por onde começar. Em nossa empresa os nossos funcionários não estão pedindo horas extras, não têm que apresentar o certificado de doença, as gavetas não têm chaves, cada um tem a chave da porta e senha do alarme.

Na verdade, muitas vezes se encontram alguns destes funcionários nas reuniões EdC. Eles falam de um Ramón que cozinha no escritório ou que lava os pratos. De um que quando tem que tomar decisões, pede opinião a todos.

Ramón criou várias empresas e também teve que encerrar algumas. Ele sabe que a vida de uma empresa às vezes tem que chegar ao fim, e muitas vezes é melhor assim, mas a coisa mais importante são as relações construídas, a comunhão vivida. Essa permanece. Às vezes, ele mesmo teve de demitir um funcionário. Nesses casos, ele sentia ser o executor de uma decisão tomada coletivamente.

N42 Pag 07 Ramon Francisquito

Às vezes, ele mesmo teve de demitir um funcionário. Nesses casos, ele sentia ser o executor de uma decisão tomada coletivamente. 

Quando uma pessoa vai embora não é porque não é mais necessária para a empresa, mas porque a empresa já não serve para ela.

Amante da leitura, não é estranho vê-lo carregando livros. Tem dois favoritos: os que abre no final de uma reunião para dar algumas frases que depois permanecem na cabeça e no coração - Luigino Bruni - A ferida do outro (Ciudad Nueva), e Monica Vaudana - Há um outro mundo (Hay otro mundo y está en éste, Ciudad Nueva). Muitas vezes ele repete este parágrafo, um de seus favoritos: "Uma boa política é aquela que sabe como mediar a reciprocidade, mas sem impedir, por medo, que as pessoas se encontrem, caso contrário você vai perder o ‘abraço’ do outro. E sem abraços você morre! Não podemos permitir que o medo da ferida evite esse abraço, arriscando até que a ferida seja mortal, porque a partir dessa ferida aberta causada pelo outro, e que causamos ao outro, elimine a única benção que torna a vida humana digna de ser vivida".

Ramón é uma daquelas pessoas que, nas palavras de Eduardo Galeano, "queimam na vida com tal força que você não pode vê-los sem pestanejar, e quem se aproxima se acende."

"Sonhem, sonhem muito ... porque só os sonhos se tornam realidade ..." (Ramón)

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