Pensar juntos, e de um jeito novo, a economia

A função do Instituto Universitário Sophia de Loppiano (Florença)

por Benedetto Gui

do Relatório EdC 2013-2014, sobre a "Economia de Comunhão - uma nova cultura" nº 40 Suplemento publicado com a 'Città Nuova' nº 1/2 - 2015 - janeiro 2015

Pag 14 Benedetto GuiSão muitas as pessoas que têm dentro de si a aspiração por uma economia justa, correta, acolhedora, atenta às exigências dos outros. Algumas têm a determinação necessária para traduzir esta aspiração em atos concretos até mesmo sozinhos.

Fiquei admirado com uma jovem empresária pelo seu forte testemunho num congresso recente, realizado em Tagaytay (Filipinas), surpresa e feliz em descobrir a existência de uma completa rede de pessoas e de empresas que leva para frente aqueles valores que seu pai lhe ensinou a viver na empresa. Porém, muitas vezes nos sentimos sós e impotentes num mundo que segue por outra estrada e, dessa forma, aquela aspiração por uma economia “bela” fica adormecida, inativa, frustrada pelas desilusões. No entanto, pode despertar à vista de todos os que a compartilham e a praticam abertamente.

Algo do gênero vale também para os pesquisadores. Não é fácil cultivar dentro de si e professar externamente uma visão da economia que dê espaço para as dimensões mais nobres do ser humano e para formas de colaboração não autointeressadas. Para que isso aconteça, é preciso abrir algumas portas – e sozinhos não é fácil – dentro de uma visão dominante fortemente consolidada que, simplificando um pouco, descreve os atores econômicos como indivíduos distintos e autônomos, guiados somente pela bússola do interesse material. Uma visão que leva a esquecer-se da riqueza das motivações e das faculdades dos reais atores econômicos e, portanto, também das oportunidades de geração de bem comum que podem surgir.

Hoje, mais do que nunca, se intui que este modo de pensar a economia é inadequado, ePag 14 Sophia Imprenditrice rid muitos estudiosos querem uma reflexão compartilhada que permita compor uma parte de uma visão alternativa. Mas como e onde? Por ocasião de uma recente visita minha à Providence University de Taiwan, impressionou-me como mais de um dos colegas que encontrei, que já em outras ocasiões tinham conhecido a proposta da Economia de Comunhão, vissem o Instituto Universitário Sophia como um lugar privilegiado para esta finalidade.

Sophia vive também graças ao apoio financeiro, importante, que recebe das empresas que aderem à EdC. Até então, sempre pensei que Sophia fizesse a sua parte para receber este apoio, oferecendo um curso em “cultura da unidade” – um sólido fundamento para trabalhar na vida social e econômica como construtores de relacionamentos de cooperação em todos os níveis, e ainda com a marca da fraternidade. Principalmente porque boa parte dos estudantes escolhe a especialização em Economia e Administração, que tem como foco justamente a EdC. Depois, eu dizia, tem também os cursos de doutorado que prepara para o mundo da pesquisa ou do ensino universitário, e mais de um deles é voltado para os temas econômicos e de gestão. Agora percebo, porém, que não é menos importante uma outra função que Sophia é chamada a desempenhar: oferecer oportunidades de encontro – em forma de seminários, congressos, cursos de férias – àquele círculo de estudiosos do mundo todo que quer alcançar, e ao mesmo tempo contribuir para, a elaboração conceitual de uma “economia de comunhão”.

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