EdC na África - a resposta econômica para a comunidade

A cultura da Economia de Comunhão, apresentada em 2011, está em plena sintonia com o espírito de Harambee, a força vital do estar juntos. E nascem as primeiras empresas.

por Betty Njagi*

de "Economia de Comunhão - uma nova cultura" n.39 - Encarte/Separata da revista Città Nuova n.13/14 - 2014 - julho de 2014

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 De acordo com o Banco Mundial, os países da África Subsaariana - com um crescimento de mais de 6 por cento ao ano - estão entre aqueles com maior desenvolvimento econômico e atraem cada vez mais investimento estrangeiro; e no entanto a sua pobreza e desigualdade permanecem inaceitavelmente elevadas. 

O nível muito baixo de salários concedidos aos trabalhadores e os preços elevados, devido a situações monopolistas, geram uma economia de mercado selvagem e de exploração dos pobres, cada vez mais pobres. 

Um sistema econômico que ameaça submergir as culturas dos países africanos e dispersar os seus dois grandes valores: a comunidade e a comunhão. Os africanos têm uma necessidade urgente de encontrar um modelo de desenvolvimento econômico e de uma cultura empresarial que proteja esses dois grandes valores.

Neste contexto, a Economia de Comunhão, que se baseia na construção de relacionamentos e propõe um modelo de desenvolvimento que encoraja, para o bem de todos, a partilha dos recursos e dos lucros, parece ser realmente a resposta certa. N39 pag 05 Africa Impresa Wolfran 02 ridNo Quênia, a força vital do estar juntos e estar unidos - que é a base da propensão para por em comum os escassos recursos para o bem de todos – chama-se Harambee: quando uma família é demasiado pobre para pagar as despesas escolares ou médicas, os membros da sua comunidade organizam um Harambee e todos contribuem de acordo com as suas possibilidades. Em plena sintonia se insere a EdC, a economia baseada nos valores evangélicos livremente "escolhidos" pelos empresários, em consonância com o forte espírito de fraternidade dos africanos: - aplicar os mesmos princípios também na atividade econômica não soa assim tão "estranho" para quem tem um forte sentido do sagrado e valoriza muito a crença religiosa.

N39 pag 05 Africa Impresa Wolfran 03 ridA Economia de Comunhão foi anunciada na África em 2011, a mais de cem empresários, investigadores/pesquisadores e estudantes em uma palestra na Universidade Católica da África Oriental, enquanto nos anos seguintes foram levados a cabo dois cursos de estudo universitário aprofundado.

Após o curso do ano de 2011, em março de 2012 Wolfram decidiu começar a sua atividade empresarial com a produção de tijolos em Kakamega, no oeste do Quênia: apesar do desafio colocado pelas chuvas em dezembro do mesmo ano, já havia atingido a produção de mais de dez mil tijolos. A empresa de Wolfram foi também uma resposta ao desafio feito por um professor, pouco convencido de que se poderia ter sucesso econômico com uma empresa EdC. Efetivamente estamos certos de que na África a EdC vai convencer muitas pessoas, sem meios financeiros, a experimentar uma nova fraternidade em que cada um dá e recebe, difundindo uma nova perspectiva e um novo sentido na vida das pessoas.

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