Os vários caráteres do mercado

Os vários caráteres do mercado

por Giampietro Parolin

em "Economia de Comunhão - uma nova cultura" nº 31 - maio de 2010

N31_Pag._26_Lethos_del_mercatoHá algum tempo Luigino Bruni pesquisa a natureza dos relacionamentos humanos. Ele fez isso como economista, olhando às várias formas de reciprocidade que se referem aos assuntos econômicos. Ampliou o olhar de cientista social à relação entre economia e felicidade. Penetrou naquele escuro, mas também luminoso território das relações plenamente envolventes que tocam todos os âmbitos da vida, precursores de feridas e de bênçãos.
O leitor que não tiver acompanhado a viagem intelectual do nosso Autor através de alguns de seus textos mais conhecidos – A economia, a felicidade e os outros (2004), Reciprocidade (2006), A ferida do outro (2007), somente para citar alguns – encontrará nesse ensaio, que apresentamos aqui, uma espécie de compendio da sua produção.

Começando pelo título, pode-se intuir que “ethos” e “ética” dividem a mesma raiz grega, mas enquanto “ethos” significa “o comportamento moral básico das pessoas”, “ética” ao invés, é a teoria referente aos comportamentos morais. Portanto, falar de ethos do mercado quer dizer ocupar-se do caráter, do temperamento do mercado.  

O percurso que é oferecido ao leitor refere-se aos vários caráteres do mercado e naturalmente (!) o das pessoas. Em uma perspectiva histórica que leva em conta a riqueza das teorias e das experiências humanas do passado, o livro oferece uma visão ampla e dinâmica sobre o funcionamento do mercado como instituição e como local de encontro entre pessoas e instituições.
Se, nos textos precedentes, a atenção era voltada, sobretudo aos relacionamentos individuais, nesse trabalho o autor muda o foco para as instituições, usando porém, as chaves de leitura que, como estudioso e atento observador da realidade pôde amadurecer no tempo.

Eis que a perspectiva das diversas formas de reciprocidade – eros, philia, ágape -  torna-se neste trabalho, o molde de muitas outras formas institucionais, de muitos outros caráteres do mercado. Nesta pesquisa se entrelaçam as visões mais otimistas e as mais pessimistas sobre o comportamento humano, oferecendo-nos os caráteres relevantes do homem moderno; caráteres que contribuíram para moldar as instituições civis e econômicas que conhecemos: estados, mercados e as várias organizações que os compõem, entre as quais se encontram as empresas.

N31_Pag._26_Gian_Pietro_ParolinNa história recente prevaleceram as idéias do “homem lobo” de Hobbes e de homo economicus “auto-interessado” de Smith. Ideias que geraram instituições leviatânicas (absolutistas, opressoras). Não se assuste com o termo, trata-se de instituições onde um terço – o contrato, o estado, a hierarquia – faz com que as nossas relações não se tornem conflitos ou que tais conflitos sejam sanados. A crise da modernidade política, social e econômica oferece ao autor uma oportunidade para explorar as várias formas de instituições, entre essas, o mercado e as várias atitudes das pessoas.

A recuperação da fraternidade como “caráter” das instituições e das pessoas parece-me a parte mais intrigante e inovadora do volume. Ainda mais porque o autor não se limita a presságios (augúrios), mas olha as experiências antigas e recentes para encontrar apoio nessa árdua exploração. Aquilo que convence é o facto que a fraternidade não seja vista como caráter que exclui os outros, mas como possibilidade de desenvolvimento a partir das formas de relação e de instituições atuais.

Como fez para as relações interpessoais, onde demonstrou e sugeriu que a plenitude da humanidade se alcança vivendo as várias formas de reciprocidade, do contrato ao ágape (amor desinteressado) passando pela amizade, Luigino Bruni sustenta agora a necessidade de se fazer o mesmo para com as instituições.

Abrir espirais de fraternidade consciente é o grande desafio que o autor propõe às instituições e às pessoas que as projetam e as governam. Esse desafio é muito mais importante para aquelas instituições, como as empresas de EdC, que desejam de modo explícito levar a fraternidade também à vida econômica, à vida de todos os dias, dentro e fora das empresas. É um desafio árduo que requer a preparação e a astúcia dos exploradores.

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