Obrigado em nome dos pobres e dos empresários

Hoje, 14 de março de 2012,  celebra-se o 4° aniversário da morte de Chiara Lubich, idealizadora do projeto Economia de Comunhão em 1991. Para recordá-la, transcrevemos o artigo-carta de Luigino Bruni dirigido a ela e publicado em Città Nuova, dia 25 de março de 2008, inédita para o site Edc

 por Luigino Bruni

Chiara_Lubich_3_rid_sx"Querida Chiara, antes de tudo, obrigado em nome dos pobres, dos empresários, dos trabalhadores de toda a Economia de Comunhão: com a sua intuição em 1991, você abriu a todos nós um caminho de felicidade, de liberdade e de justiça dentro das questões econômicas do dia-a-dia.

A economia é um dos âmbitos nos quais o seu carisma mais frutificou. A ele, você dedicou grande atenção, tempo, energias, amor. Criou uma nova economia a partir dos pobres, daqueles seus filhos que viu nas favelas de São Paulo, que lhe inspiraram a comunhão como via para a economia, como via normal, para todos.

Muitos carismas, ao longo da história da Igreja produziram efeitos no âmbito econômico (Bento, Francisco, Inácio...), mas o seu carisma não deu vida somente a obras econômicas importantes, ele gerou, e continua a gerar, efeitos também na teoria econômica. Se hoje, no debate científico e cultural encontram-se as expressões bens relacionais, gratuidade, reciprocidade incondicional, comunhão, ágape etc., devemos isso a você, que inspirou, com a sua ação e com o seu pensamento, essas novas palavras.

Posso lhe dizer agora que, na minha atividade de pesquisador, não teria tido nenhuma ideia original se não fosse pelo relacionamento contínuo com você, que foi a minha contínua fonte de inspiração, até mesmo no trabalho mais propriamente científico. Eu tinha recém feito trinta anos quando você me telefonou em Londres pendindo para eu vir a Roma para ajudar a dar, junto com outros maravilhosos companheiros de viagem, dignidade científica a Economia de Comunhão. Na verdade, logo percebi que a dignidade era muito maior do que aquela científica, e você lhe havia dado tal dignidade, fundando-a sobre o amor aos pobres dos quais o Evangelho fala. Esses dez anos de trabalho com você, na Escola Abba e na Economia de Comunhão, foram a experiência mais entusiasmante da minha vida, sob o aspecto intelectual e humano, uma experiência que me doou gratuitamente, sem nenhum mérito, como os verdadeiros presentes que nos transformam, porque não os esperamos nem os merecemos.

Três coisas ficaram impressas na minha alma e na minha mente nesses anos com você.
A primeira: graças a você entendi o que é um carisma, e o papel que não só o seu carisma, mas todo carisma autêntico, tem na vida civil e econômica. Entendi que onde um carisma opera, existe a gratuidade verdadeira, a liberdade verdadeira, porque se age movido por uma vocação interior.

A segunda: você me ensinou, com a sua vida, que não é possível fazer nenhuma experiência autenticamente intelectual se as teorias e os pensamentos que são compreendidos ou escritos não se tornam em vida em quem os elabora e os escreve. Na sua escola, entendi que se eu quisesse dar minha contribuição para uma teoria econômica de comunhão, o que era realmente importante, e também mais exigente, que eu tinha o dever de fazer, era me tornar, dia após dia, uma pessoa de comunhão em todos os âmbitos da minha vida. Trabalhando lado a lado com você descobri que não se pode escrever e falar de dom, de comunhão, de gratuidade sem ser dom, comunhão, gratuidade. Você me mostrou que a vida é maior e precede todo conceito. E só a vida salva de verdade, nós e os outros.

Enfim, Chiara, você me fez descobrir o significado profundo da riqueza e da pobreza. Fez-me entender que o bem mais precioso é sempre o relacionamento com Deus e com as pessoas, o amor recíproco, Jesus entre nós: sem relacionamentos de reciprocidade nenhum bem se transforma em bem-estar, e mesmo quando os bens são escassos e ameaçados, o amor recíproco não nos deixa nunca indigentes. Somente a comunhão é caminho de felicidade plena, uma felicidade que só se alcança quando nos esquecemos de nós mesmos e nos doamos aos outros, na reciprocidade.

É essa felicidade que procurei contar com os meus estudos. A partir de um carisma da unidade que nasce do grito de abandono de Jesus na cruz, está nascendo agora, também uma teoria econômica relacional particularmente idônea a estudar e encontrar respostas (uma Economia de Comunhão) para as novas pobrezas atuais e do futuro, que nascem das solidões e das pobrezas de relacionamentos marcados pela gratuidade. É essa a lógica dos carismas que você nos revelou, dons da Providência para fazer com que, num determinado período histórico, o jugo do viver seja suave. O seu carisma está nos dando olhos novos para ver as novas carestias e os novos bens relacionais, e edificar uma economia da pessoa e do amor, uma economia mariana.

O trabalho que temos diante de nós é grande, você sempre nos fez notar: mas o início foi maravilhoso, muito luminoso, me deixou em fôlego. Por isso e por tudo aquilo que você foi para mim, para os economistas, para os empresários e para os trabalhadores..., e sobretudo para os pobres: obrigado Chiara!

Città Nuova, N.7/2008 

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