Acionistas da promoção humana

ECONOMIA DE COMUNHÃO Na edição de janeiro de Cidade Nova, o empresário Rodolfo Leibholz, enumerou sete razões para comprar ações dos Polos da Economia de Comunhão. Nesta edição, apresentamos algumas das milhares de pessoas que acreditaram no projeto e se tornaram acionistas desses empreendimentos

Acionistas da promoção humana

por Marcello Riella Benites

publicado em Cidade Nova, 03/2010


É claro que quando se fala em comprar ações, imagina-se pessoas que têm algum dinheiro sobrando e podem investir. Não é bem esse o caso de todos os acionistas da EdC. “Eu ganho 850 reais de aposentadoria e aumento minha renda vendendo livros e CDs como autônoma. Mas, todo mês, eu compro 50 reais em ações. Nunca deixo faltar essa quantia. Para mim é como se fosse uma prestação que, se não for paga, deixará meu nome sujo na praça”, afirma Marilene Rodrigues da Silva, da cidade do Rio de Janeiro, acionista do Polo Spartaco.

“A gente vê tanta miséria nas ruas. Eu tento fazer alguma coisa por essas pessoas, dar algum alimento, olhar com respeito, sorrir, conversar com elas. Mas sei que nunca é suficiente”. Para Marilene, o investimento na Espri é uma forma efetiva de ajudar os pobres a saírem da situação em que vivem.
“Eu sentia muito esse desnível, de tanta gente ter tanto e outros viverem na miséria, sabe? Eu sofria muito com isso. Quando Chiara, em 1991, lançou a Economia de Comunhão e, poucos anos depois, surgiu a oportunidade de contribuir como acionista, eu pensei: ‘Essa é a solução. Vou participar!’ Era o primeiro grupo de acionistas”, conta dona Maria Suzete Pereira de Oliveira, de Maceió (AL), que é acionista do Polo Ginetta, de Igarassu (PE). O psicólogo Mauro César Medeiros Paiva, de João Pessoa (PB), outro acionista do polo nordestino, diz: “Sempre me baseio na convicção de que compro essas ações em nome de algo maior. Então, quando estou com dificuldades para comprar, algo me diz que tudo vai se resolver. Ajudou-me muito uma visita que eu fiz ao Polo Ginetta. Lá, eu vi como o trabalho é feito com dificuldade, mas muito seriamente”.

Distribuição de renda

Atualmente, Mauro garante seu lote mensal de ações por meio de um serviço semelhante ao débito automático, disponibilizado por seu banco. “E tenho observado que as compras de ações não pesam no meu orçamento. Porém, para mim, o mais importante é que se trata de um compromisso pessoal de fazer frente à injusta distribuição de renda em nossa sociedade”, afirma o psicólogo.
Com o tempo, muitos acionistas dos polos tornam-se representantes desses empreendimentos. É o caso de Milton José Zenatti Roman Ross, servidor público estadual do Poder Judiciário em Dourados (MS). “Sendo servidor público e não podendo ter empresa, por não ter capital, encontrei nas ações da Espri uma forma de construir o polo para dar visibilidade à Economia de Comunhão. Porém, há pouco tempo, uma funcionária do polo me disse que não havia representante da Espri aqui na minha região. Então, eu mesmo, com uma carga de trabalho bastante puxada, aceitei a proposta e tentarei conseguir tempo para motivar mais pessoas a serem acionistas”, afirma Milton.
Maria Catarina de Carvalho de Paiva, além de acionista, é também representante da Espri em Belém (PA). Apesar de inúmeros outros afazeres, recolhe mensalmente o dinheiro de cerca de 30 acionistas para enviá-lo à Espri. Mas o empenho de Catarina na promoção da EdC é de longa data. Há alguns anos ela e um grupo de amigas resolveram cortar diversos gastos em festas de final de ano e transformaram essas economias em ações, sendo essa experiência comunicada ao pessoal da Espri. “Havia um empresário da EdC que estava tentando instalar uma empresa no polo, mas estava desanimado com a burocracia necessária. Quando tomou conhecimento dessa nossa experiência, disse: ‘São essas coisas que levam a gente para frente!’”, conta ela.

Administrar os bens

A economista Maria das Graças Siqueira da Rocha é acionista e representante da Espri no Estado do Rio de Janeiro. Conta como procura manter seu compromisso pessoal na compra de ações: “Quando Chiara lançou a EdC, vi uma resposta ao problema da pobreza porque atingia de fato a estrutura da realidade econômica. Por isso, comprar essas ações tornou-se um compromisso mensal. Há meses em que o orçamento é mais apertado. Mas, para ser fiel ao meu compromisso, revejo meus gastos pessoais”, lembra Maria das Graças.
Ela percebeu que podia realizar alguns trajetos do dia a dia a pé e economizar o dinheiro da condução, e que poderia também poupar evitando ligações de telefone celular para telefone fixo, entre outros cortes. “E a gente sempre recebe uma resposta. Justamente nesse período, tive a oportunidade de uma renda adicional, inclusive trabalhando num projeto ligado à EdC. Então, vi que nada seria mais justo do que destinar parte desse dinheiro para a compra de um lote maior de ações”, diz a economista.
Para Renato Lang Dourado, bancário aposentado de Pelotas (RS), o principal motivo para ser um acionista da EdC é a consciência de que os bens pessoais podem estar a serviço da construção de uma sociedade mais fraterna. Segundo ele, “cada um de nós é administrador dos recursos que recebeu”. “Sempre considerei com a maior felicidade, com a máxima satisfação as minhas compras de ações. Eu as vejo como expressão da caridade nós devemos ter uns para com os outros”, conclui Renato.

Algumas motivações para ser acionistas da EdC

As ações não são uma doação, mas um investimento com rentabilidade segura.

• sustentam um empreendimento atento ao meio ambiente e à saúde dos  trabalhadores;
  • promovem autênticas “empresas-comunidade” que investem na relacionalidade fraterna de seus colaboradores diretos e indiretos e com a comunidade no entorno das empresas;
• contribuem para gerar uma nova ética empresarial que se propõe como ponto de referência para o mercado e para a sociedade;
• contribuem para dar visibilidade a um novo modo de gestão, um novo agir econômico baseado na fraternidade.

A EdC e os pólos

A Economia de Comunhão (www.edc-online.org) foi lançada em 29 de maio de 1991, por Chiara Lubich, em Vargem Grande Paulista (SP) . Hoje, mais de 700 empresas, em todos os continentes, e sete mil famílias participam do projeto, no qual empresas convencionais (não-filantrópicas) orientam uma parcela de seus lucros – definida livremente pelos proprietários – a projetos individuais, familiares ou comunitários que superem situações de pobreza, numa relação de fraternidade, reciprocidade, igualdade e responsabilidade.
Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, havia intuído desde o lançamento da EdC que, para esse projeto prosperar, seria preciso construir polos com “empresas-modelo”, de forma que o projeto pudesse ser visto, estudado, divulgado, imitado, e que se difundisse. Idealizou, então, a coleta de ações por meio da qual um grande número de pessoas de todos os níveis sociais contribuiria para a aquisição dos terrenos e a edificação dos polos
No Brasil, existem três polos da EdC: o Polo Spartaco, em Cotia (SP), que conta com 3.970 acionis-tas; o Polo Ginetta, em Igarassu (PE), que conta com 1.056 acionistas e o Polo François Neveux, em Benevidade (PA), em fase de implantação.

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