EdC, um círculo virtuoso

BENS RELACIONAIS nas empresas da Economia de Comunhão, a eficiência não se obtém às custas da felicidade, mas elas fazem um grande esforço para que essas duas exigências aconteçam num contexto de “equidade”

EdC, um círculo virtuoso

por Marcello Riella Benites

publicado em Cidade Nova, 10/2010

Imagine se você tivesse o sonho de comprar uma motocicleta, mas só pudesse realizá-lo depois de muito esforço e, após pagar a primeira de 36 prestações, tivesse sua moto roubada? Foi o que aconteceu com Jean Jorge Günter, um funcionário da Metalsul, empresa de Joinville (SC), que fabrica ferramentas e tem cerca de 2.500 clientes cadastrados. Sensibilizados, seus colegas se organizaram para pagar as prestações restantes de modo que o operário pudesse comprar outra moto. Jean Jorge afirmou ter experimentado mais de uma vez esse espírito de “empresa-comunidade” existente na Metalsul. “Eu gosto bastante de trabalhar aqui, seja pela proximidade que a gente tem com os diretores da empresa, seja pela própria comunhão que a gente vive com os demais funcionários”, afirma.

A empresa surgiu em 1996, depois do que se chamaria, convencionalmente, de um fracasso. Aliás, de dois. Após ser demitido do banco onde era gerente, Celso Antônio Beppler investiu o patrimônio que acumulara numa factoring, empresa que entre outros serviços, antecipa, à vista, o pagamento de vendas que seus clientes (outras empresas) faziam a prazo, para depois ser ressarcida com acréscimo. O resultado foi outro insucesso. “Não tinha a ver com minha personalidade. Para sobreviver, eu teria que cobrar de 10% a 15% a mais e isso quebraria as outras empresas”, conta Beppler.
Na época, Celso procurou algumas pessoas que lhe deviam e um profissional especializado na pro-dução de ferramentas propôs pagá-lo com trabalho. Surgiu, assim, a Metalsul que, com pouco mais de 14 anos, já possui uma unidade no município de Garuva, também em Santa Catarina. A empresa conta com 49 colaboradores diretos, clientes em todo o Brasil e já planeja exportar para os países do Mercosul. Entretanto, não é apenas isso que faz de Celso um empresário realizado, mas também a alegria de escutar muitas vezes de seus empregados a expressão: “Aqui, somos uma família”.

Relacionamentos como negócio
O mesmo ocorre em outras empresas da EdC. Na Loppiano Pizza, um restaurante e delivery de Manaus, por exemplo, os relacionamentos pessoais são levados tão a sério que foram incluídos na missão da empresa. “Num curso sobre planejamento estratégico, chegamos à conclusão de que o nosso negócio é muito mais que oferecer uma excelente pizza, mas também, e principalmente, facilitar relacionamentos. Essa descoberta está ligada também ao nosso slogan: ‘Vivendo juntos em cada momento’”, afirma Rogério Cunha , proprietário da pizzaria.
Segunda melhor pizzaria da cidade – conforme ranking da edição local de uma importante revista –, com 55 funcionários, a Loppiano Pizza realiza mensalmente uma reunião com todos eles. Nessa oportunidade, após uma reflexão sobre um trecho do Evangelho, todos podem compartilhar suas opiniões e situações alegres, sofrimentos e dificuldades pessoais, buscando soluções solidárias. Essas ações com frequência se estendem até a pessoas de fora da empresa. Numa determinada reunião, por exemplo, a equipe resolveu fazer uma revisão nos pertences pessoais que não estavam sendo usados para destiná-los aos mais necessitados.
Também no ramo alimentício e no norte do país, em Belém, a EdC conta com aFeito por Nós, que produz doces com frutas típicas da região, como açaí, cupuaçu e bacuri. A empresa nasceu há 16 anos, contemplando logo de início a difícil situação de pequenos produtores locais de frutas que tinham dificuldades para obter bons preços para seus produtos. Atualmente, a Feito por Nós compra de pelo menos 20 pequenos produtores.
Também na Feito por Nós, o  “espírito de família” suscitou, por exemplo, uma caixinha que facilita pequenos empréstimos entre os empregados. Certa vez, quando uma funcionária teve filhos gêmeos, os empregados estabeleceram uma cota para que cada um contribuísse com as numerosas fraldas necessárias para os bebês.
Esse espírito de família é gerado por todos os agentes da empresa. E, em muitos casos, a iniciativa parte dos empresários. Alguns breves exemplos, entre muitos outros: a empresa catarinense mantém em sua sede uma escola com 12 alunos que ali fizeram, em regime supletivo, o nível fundamental e estão concluindo o médio, e ainda contribui para outros dois funcionários estudarem, um no Senai e outro numa faculdade de engenharia mecânica. A firma de Manaus realocou uma funcionária que, devido a condições de saúde, não poderia mais realizar determinada função, assumindo o ônus da readaptação ao novo serviço, mesmo sem que a funcionária tivesse inicialmente o perfil exigido. Já a fábrica de Belém fez grande esforço para, durante uma crise, não recorrer à demissões e, recuperada, contratou outras três pessoas.

Conflitos e reciprocidade
Não faltam, nas empresas da EdC, as tensões típicas de qualquer ambiente de trabalho em que a eficiência, a produção e o lucro são indispensáveis. Mas o diálogo como método gera relações de confiança que ajudam a superar, por exemplo, a visão comum segundo a qual o patrão vê o empregado como aquele que quer trabalhar menos e ganhar mais e o funcionário vê o empresário como aquele que exige que ele trabalhe mais ganhando menos.
Com base nessas relações de confiança, todos os agentes da empresa se sentem mais realizados no que fazem, trabalhando mais e melhor, porque sentem que não estão produzindo apenas bens e serviços, mas estão construindo um projeto de sociedade mais fraterna. Sentem que a reciprocidade no trabalho gera felicidade e realização humana. 

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