O Nobel de Economia e a nossa vida cotidiana

Premiar Oliver Hart e Bengt Holmström com o Nobel de Economia dá margem a variadas interpretações, como sintetiza o comentário de Vittorio Pelligra

por Vittorio Pelligra

publicado na: Città Nuova no dia 13/10/2016

Una donna firma un contrattoImagine que você acaba de desembarcar pela primeira vez numa cidade desconhecida. Ao sair do aeroporto, você se encaminha rumo a um ponto de táxi a fim de tomar um táxi que o leve ao hotel. O taxista é um estranho e tem como principal objetivo maximizar o ganho dele. Você precisa dele, mas quer gastar na corrida o menos possível. Trocando em miúdos, o interesse de ambos se encontra em conflito.

A situação se agrava pois você não é capaz, se não de modo imperfeito, de avaliar se o trajeto que o taxista está fazendo para chegar ao hotel é o mais curto, no qual você levaria vantagem ou, pelo contrário, o mais longo, dando vantagem ao taxista. Você não seria capaz de guiá-lo pois não conhece a cidade, suas ruas e vielas, seus atalhos, tampouco uma avenida mais ampla, que no pior dos casos estaria, justo naquele dia, mais congestionada. O que fazer, então, dado que as alternativas parecem ser somente duas: ir à pé ou entrar pelo cano?

Há, na verdade, uma terceira possibilidade, aquela de encontrar um sistema, um “mecanismo” que faça com que os interesses em conflito se alinhem, convergindo para o interesse comum. Poder-se-ia, por exemplo, acordar na categoria uma tarifa que somasse o custo fixo pela chamada com uma variável calculada a partir da distância percorrida. Dessa forma, ao taxista não compensaria mais alongar o percurso das corridas, mas atender ao maior número possível requisições, posto que seu ganho cresceria à medida em que atendesse mais chamadas. Mas para atender mais chamadas ele deveria fazer corridas mais breves, nada mais, nada a menos do que aquilo que um passageiro de táxi mais anseia. Pronto, de repente os interesses de taxista e passageiro “magicamente” coincidiram. Mas na verdade não houve mágica, e sim a utilização de um mecanismo, um contrato, capaz de dar ao taxista os justos incentivos, de tal modo que estes operem para o melhor interesse dos passageiros, deixando de fora os golpistas.

Como projetar e implantar tais esquemas de incentivos, ou mais simplesmente contratos, adaptando-os às mais variadas situações econômicas, é o que o coração da “teoria dos contratos” explora, disciplina para a qual contribuíram de forma relevante Oliver Hart e Bengt Holmstrom, economistas do MIT(Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e de Harvard, respectivamente, que pelo trabalho por eles desenvolvido neste âmbito há pouco ganharam o Nobel de Economia.

Pedra angular da modernidade?

Os contratos regulam nossos comportamentos por meio da atribuição de incentivos, e os incentivos são "a essência da economia", para usar uma famosa expressão de Canice Prendergast, professor na Universidade de Chicago. No mesmo sentido afirma seu colega Steven Levitt, também de Chicago, que reforçando o curso tomado afirma ser os incentivos não somente relevantes para a economia, mas a “pedra angular da vida moderna”.

Não vem ao caso, portanto, deixar de lado o reconhecimento dado a Oliver Hart e Bengt Holmstrom, não obstante o fato de que esta premiação possa ser analisada sob diversos focos. Fausto Panunzi, da Universidade Bocconi, em recente artigo escreve que “a escolha deste ano premia dois economista de primeira grandeza, que tiveram grande impacto na área econômica. E nos lembra o quão importantes são os incentivos nas organizações e na nossa vida. Era difícil que o Nobel caísse em melhores mãos.” Luigino Bruni, da Universidade Lumsa de Roma, ao invés comentando a mesma premiação, afirma que a teoria dos contratos é a expressão máxima de uma economia “inútil, se não fosse manipuladora”; e retoricamente indaga: “será que seria oportuno premiar os maiores representantes desta teoria econômica e financeira pela qual ainda hoje pagamos desastrosas consequências?

Mas tal contraste não deve chocar, a economia é a única ciência na qual os comentaristas não só possuem opiniões divergentes acerca da obra de quem ganhou o Nobel, mas também o próprio prêmio, e não poucas vezes, foi dado a economistas com posições dramaticalmente opostas, e em alguns casos no mesmo ano.

A segunda parte do artigo será publicada na próxima semana...

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