Editoriais Avvenire92

 

 

Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni publicados em Avvenire (jornal de inspiração católica) desde julho de 2011

 

É a mansidão diferente que salva

A aurora da meia-noite / 8 – As comunidades que matam os seus profetas ainda ingénuos, morrem

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 11/06/2017

170611 Geremia 8 rid«Deus não se revela ao profeta, como um abstrato absoluto, mas como relação íntima e pessoal»

Abraham Heschel, "Il messaggio dei profeti"

As saudades boas, as capazes de ainda nos falar, são apenas as saudades do futuro, as que sabem lançar o olhar para o presente e para o futuro. Não se regenera uma relação de amor voltando às palavras que ela nos dizia nos tempos felizes, mas sonhando e dizendo palavras de amor que nunca tínhamos dito. Há uma reciprocidade vital e essencial entre o passado e o presente. A promessa da origem dá sentido e verdade às esperanças nos tempos dos exílios e dos desertos; e o cumprimento das promessas de ontem, no hoje, diz-nos que não seguimos uma ilusão.

Leia mais...

Não à banalidade do nada

A aurora da meia-noite / 7 – Os ídolos não atemorizem nem sejam alibis de presunções

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 04/06/2017

170604 Geremia 7«Como podia, então, unir-me a este selvagem idólatra, na adoração do seu pedaço de madeira? Mas o que é adorar? Acreditas verdadeiramente, Ismael, que o magnânimo Deus do céu e da terra – incluídos os pagãos e todos os outros – possa alguma vez ter ciúmes de insignificante pedaço negro de madeira? Impossível! Então, o que é adorar?»

Herman Melville, "Moby Dick"

A profecia é uma crítica radical das religiões e dos cultos. De todas as religiões e de todos os cultos, que têm uma tendência intrínseca em transformar-se em práticas idolátricas. Também e sobretudo pela revelação bíblica, uma crítica sistemática e tremenda, para evitar que a palavra bíblica se torne uma simples religião – uma fé que se torna só religião já é culto idolátrico. A Bíblia é muito mais que um livro sagrado de uma religião, também porque recolheu e conservou no seu seio os livros dos profetas que, juntamente a Job e Qohélet, as impediram de se tornar um objeto idolátrico. Então, os profetas, esvaziando o mundo religioso dos ídolos, procuram libertar-nos a paisagem dos nossos artefactos religiosos para nos criar um ambiente em que, talvez, possamos ouvir apenas uma voz nua. São os grandes libertadores dos deuses que enchem a terra e as nossas almas.

Leia mais...

A tentação de vestir Deus

A aurora da meia-noite / 6 – As mentiras dos escribas são gaiola também para a boa-fé

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 28/05/2017

170528 geremia 6 rid«Jeremias compreende que o precioso poder do diálogo que lhe foi dado é, na realidade, poder de oração»

André Neher, Geremia

No princípio de toda a história de amor há um maravilhoso encontro entre “interior” e “exterior”. Nas histórias pessoais e nas coletivas. Encontramos, um dia, uma pessoa e sentimos que já estava presente na nossa alma sem que o soubéssemos. Enquanto a conhecemos, reconhecemo-la. Se assim não fosse, não nos ligaríamos a ninguém com um pacto que contém um “para sempre”. Algo de semelhante acontece também nas histórias de amor onde o outro que encontramos não é um homem nem uma mulher, mas uma realidade espiritual ou ideal. A voz que nos chama é, simultaneamente, exterior e intimíssima; reconhecemo-la porque já estava dentro de nós.

Leia mais...

A tenacidade honesta do fole

A aurora da meia-noite / 5 – Permanecer fortes para não manipular a realidade e não usar Deus

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 21/05/2017

170521 Geremia 05 rid“«E a multidão exultava, estalando os dedos. Zaratustra, pelo contrário, entristeceu-se e disse ao seu coração: “Não me compreendem: eu sou a boca para estas orelhas. Agora, olham-me e riem; e, enquanto riem, continuam a odiar-me. Há gelo no seu riso»”.

Friedrich Nietzsche, "Assim falou Zaratustra"

O Deus bíblico não fala na primeira pessoa, na terra; as suas palavras chegam até nós apenas como palavras de homens e mulheres. Quem desce do Sinai, com as Tábuas da Lei, é Moisés, um homem. A ele, YHWH fala na tenda da reunião, só com ele dialoga “face a face”, e diz-lhes palavras que, depois, o povo pode conhecer. Se queremos escutar a palavra de Deus no mundo, devemos, apenas e simplesmente, aprender a escutar homens e mulheres como nós. É uma palavra que se comunica enquanto olhamos olhos à mesma altura dos nossos. Não a encontramos nem acima nem abaixo: só frente a nós. O homem é o lugar onde Deus sabe falar aos homens. Somente homens e mulheres podem fazer ressurgir, em cada dia, a Bíblia e os Evangelhos, dizendo as palavras “sai para fora”. Sem pessoas que as chamam pelo nome, aqui e agora, também as palavras bíblicas permanecem mortas nos seus sepulcros.

Leia mais...

Como mães da palavra

A aurora da meia-noite / 4 – A verdade também faz sofrer, mas gera para a verdadeira liberdade

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 14/05/2017

170514 Geremia 04 bis rid

«Espero, de todo o coração, que me absolveis; não me diverte a ideia de fazer de herói na prisão, mas não posso deixar de declarar-vos explicitamente que continuarei a ensinar os meus jovens o que ensinei até agora … Se não pudermos salvar a humanidade, salvaremos, pelo menos, a alma».           

Don Lorenzo Milani, Carta aos capelães militares, carta aos juízes

A ideologia é o primeiro instrumento usado pelas classes dominantes nos tempos das crises. Antes da força, do dinheiro, do poder político, os chefes (civis ou religiosos) gerem as crises dos seus impérios produzindo ideologias, pagando a ideólogos, erguendo um sistema de propaganda capilar da ideologia. Quanto mais grave é a crise, mais essencial é o instrumento ideológico. A principal forma que toma a ideologia no tempo das crises é a produção sistemática e reiterada de ilusões coletivas. Enquanto os sinais falam, clara e somente, de declínio e de fim, as ideologias produzem, primeiramente, sinais diferentes, inexistentes; depois, fazem-nos tornar principais; por fim, apresentam-nos como os únicos. As ideologias são muitas e diferentes, mas têm em comum a criação artificial de uma realidade paralela que é apresentada como perfeita e que, progressivamente, faz perder o contacto com a realidade imperfeita e verdadeira.

Leia mais...

A mão que segura a corda

A aurora da meia-noite / 3 – É um grande dom ter ao lado pessoas mais fiéis que nós

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 07/05/2017

170507 Geremia 03 rid«Quando chegou junto do monte, onde Moisés tinha subido e tinha contemplado a herança de Deus, Jeremias subiu e encontrou um vão em forma de caverna e lá meteu a tenda, a arca e o altar do incenso e tapou a entrada. Alguns dos que o seguiam regressaram para assinalar o caminho, mas não conseguiram encontrá-lo».

Segundo o Livro dos Macabeus

A fidelidade é uma das palavras que tem a capacidade de, sozinha, dizer tudo o que há a dizer acerca da vida. Uma existência é feita de muitas palavras e de muitas coisas, mas, se tivéssemos de escolher uma só, a fidelidade seria uma candidata muito forte. A fidelidade é quase tudo; talvez a fidelidade seja tudo. Fidelidade aos pactos fundadores da nossa existência, à aliança conjugal, à nossa profissão, às amizades, à voz que, um dia, nos chamou, fazendo-nos partir para a viagem maior. É a fidelidade que aquece o coração nos invernos, que consola a alma quando tudo o resto passa, que nos faz pronunciar o nosso nome sem nos envergonharmos. É a melhor herança que podemos deixar aos nossos filhos.

Leia mais...

Os profetas do segundo nada

A aurora da meia-noite / 2 – O destino e a liberdade no encontro com o absoluto

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 30/04/2017

170430 geremia02«Quando levou à cabeceira de Jeremias a bebida preparada, ele respirava tranquilamente a dormir. “Porque não me é lícito esconde-lo do mundo, como poderia esconde-lo de ti, mãe?” … “Que escondeste?” (…). “O Senhor esteve próximo de mim… E a sua voz falou-me. E a sua voz me mandou para fora daqui”. Os olhos de Abi encheram-se de lágrimas. Não chorava porque o Senhor tinha vindo até ele. Não devia estar orgulhosa, entre todas as mulheres de Jacob? E, no entanto, o coração da Abi quebrava-se de dor pela escolha do filho»

Franz Werfel, 'Ascoltare la voce'

Há um conflito, uma tensão radical entre os profetas e o poder. Por muitas razões, mas, sobretudo, porque o profeta, por missão e vocação, sabe ver a natural tendência de qualquer poder – in primis, o revestido de uma veste sacra – em perverter-se e transformar-se em tirania.

Leia mais...

A hora de um cântico sem medo

A aurora da meia-noite / 1 – O destino e a liberdade no encontro com o absoluto

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em  23/04/2017

Logo Geremia Crop 300

Vós que amais,
vós que desejais, 
ouvi, vós, doentes de despedida: 
somos nós que começamos a viver nos vossos olhares, 
nas vossas mãos que vão à procura na luz azul – 
somos nós, que cheiramos ao amanhã.
Já nos aspira o vosso folego,
nos puxa para baixo no vosso sono 
nos sonhos, que são o vosso reino
onde a escura ama, a noite, 
nos faz crescer,
até que nos reflitamos nos vossos olhos,
até que falemos às vossas orelhas.

Nelly Sachs 'Nelle dimore della morte'

A profecia é um bem capital em qualquer tempo e em qualquer lugar – para qualquer sociedade, para todas as comunidades, para toda a pessoa. Depois, quando atravessamos as grandes crises, a profecia torna-se um bem de primeira necessidade, precioso e essencial como a água e valoriza-a.

Leia mais...

Palavras para o tempo de todos

À escuta da vida / 29 – O profeta é mestre da luz porque conhece a noite

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 08/01/2017

Lago Albano rid«A maré humana, quebrando-se aos pés da torre, continuamente lambida pela sua miséria, continua a repetir a sua pergunta: shomèr ma-millàilah? ‘Quanto falta para o dia?’. O tom do oráculo é desconcertante pela sua inaudita cortesia: ‘se vos agrada perguntar, perguntai, voltai…’. Não importa saber. O que importa, o que faz viver, é que não percamos a angélica trepidação, a necessidade, a vontade de saber em que ponto vai ou quanto falta à noite ou o que significa a noite. O pior dos infortúnios é que acabem o vir e o perguntar».

Guido Ceronetti, "Il libro del profeta Isaia"

Nenhuma época conheceu uma produção e uma multiplicação de palavras como a nossa. As culturas antigas, rurais e analfabetas, também porque não sabiam escrever nem ler, porque conheciam poucas palavras, intuíam que a palavra, as palavras, continham em si um misterioso poder, respeitavam-no e temiam-no. Não sabiam nem ler nem escrever, mas sabiam falar. Não sabiam escrever poesias, mas sabiam-nas contar, sabiam-nas viver. O nosso tempo, porque inundado pelas palavras, perdeu o sentido da palavra, não tem instrumentos para reconhecer os profetas e confunde-os com os criadores e vendedores de tagarelices. Para reconhecer e compreender os profetas – e só Deus sabe quanta necessidade temos deles – deveremos simplesmente reaprender a falar.

Leia mais...

Quem já não grita, perde Deus

À escuta da vida / 28 – O bom, que resiste, dá raízes ao futuro e salva a todos

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 31/12/2016

jacob y el angel 299x300«Se encontrares no caminho, em cima de uma árvore ou no chão, um ninho de pássaros com filhotes, ou ovos cobertos pela mãe, não apanharás a mãe com a ninhada; deixarás fugir a mãe e só poderás ficar com os filhotes para ti, de modo que possas ser feliz» (Dt 22, 6-7) – é a mesma promessa feita a quem “honra pai e mãe”. Conta-se que Rabi Elishà ben Avujà, uma vez, viu um homem subir a uma palmeira, ao sábado, e apanhar do ninho a mãe com os filhotes. E vê-o descer ileso. Pelo contrário, um outro homem, depois do sábado, subiu à palmeira, apanha os filhotes e deixou fugir a mãe. Desce, é mordido por uma serpente e morre. Disse Elishà: «Não há justiça: não há Juiz». E abjurou. E como fez Elishà para mostrar que tinha perdido a fé? Não construiu uma filosofia ateia: num dia de sábado, arrancou um tufo de erva.

Paolo de Benedetti, "Uomini e profeti", Radio3

Uma alma profunda da cultura do Ocidente é o resultado do encontro e da tensão vital entre o humanismo grego e o bíblico. Entre o génio filosófico dos gregos, indagador da verdade numa liberdade absoluta e liberto de qualquer referência ao passado, à tradição ou a textos sagrados e o ethos bíblico, mais orientado à via que à verdade, que olha em frente, mas não é livre nem liberto da ligação ao início, porque ancorado num primeiro Pacto e numa promessa imprescindíveis.

Leia mais...

Outros anjos sobre a mesma gruta

À escuta da vida / 27 – A espera é a condição normal da vida boa

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 24/12/2016

Notte stellata Corea rid“Se nós consentirmos, Deus deposita em nós uma pequena semente e vai-se embora. A partir daquele momento, Deus não tem mais nada a fazer, e nós também não, a não ser esperar. Devemos apenas não lamentar o consentimento que demos, o sim nupcial. Não é tão fácil como parece, porque o crescimento da semente, em nós, é doloroso”

Simone Weil, "Attesa di Dio"  [Espera de Deus]

A espera é a condição normal da vida boa. Todos os anos, revivemos o Advento, porque embora sabendo que aquele menino já veio, sabemos também que deve regressar. O povo de Israel acreditava e sabia que Abraão tinha encontrado o Senhor, que tinha aparecido aos patriarcas, a Agar. Moisés falava com ele cara a cara, e todos os profetas tinham conhecido a voz, visto o céu e os anjos. Todavia, continuavam a esperar o Emanuel, o Deus connosco, que já tinha vindo e que devia voltar.

Leia mais...

Abençoado o tempo desencantado

À escuta da vida/26 – A cada casa e a cada comunidade é útil ar novo

por  Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 18/12/2016

Albero bucato rid“Ai de mim; o que são, por vezes, as nossas ideias! Apenas a nossa máscara. Posso exprimir ideias generosíssimas, imaginemos, sobre a condição dos pobres; e as minhas ideias são generosas: no entanto, tenho uma casa rica e bonita, e os pobres apenas os vejo na rua. Qual é o meu amor, neste caso? Pela pobreza e pelos pobres? Não, certamente: caso contrário, estaria entre eles, seria um deles: as minhas ideias são para a pobreza, mas o meu amor é pela minha casa”

Giuseppe de Luca, "Introduzione alla storia della pietà"

Toda a comunidade vive da tensão vital entre o interior e o exterior. Entre a exigência de preservar a identidade própria e a necessidade de acolher quem bate à porta. Abrir para deixar entrar ar fresco que vivifique a casa, fechar para reter o calor criado pela intimidade das relações entre os habitantes. Geralmente, é o medo de perder o bom calor que prevalece, e as comunidades transformam-se, progressivamente, em clubes privados de iguais que consomem bens relacionais entre si, dentro de cercas protetoras que, com o tempo, se tornam verdadeiros muros.

Leia mais...

O necessário é demasiado pouco

À escuta da vida / 25 – Aprender a viver o tempo do amadurecimento da semente

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 11/12/2016

pescador“Procuro a palavra. / A nossa língua é impotente, /os seus sons repentinos – pobres. / Procuro com o esforço da mente / procuro esta palavra – mas não consigo encontra-la. / Não consigo”

Wislawa Szymborska, "Cerco la parola"   [Procuro a palavra]

Escondido no coração da humanidade está sempre o desejo profundo de uma terra da gratuidade. Uma terra onde todo o homem, toda a mulher, todo o pobre tenha pão, água, leite, mel, sem que o acesso a estes bens fundamentais de vida seja medido pela posse do dinheiro. Porque sabemos, sentimos, que mais profundo que a lei do dar e do ter moeda e da finança, há um laço de fraternidade mais verdadeiro do que as desigualdades económicas e sociais, que nos chama e espera que o descubramos e reconheçamos.

Leia mais...

As feridas fecundas do parto

À escuta da vida / 24 – A novidade compreendida pelo “homem das dores” gera alegria

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 04/12/2016

Pietà postmoderna rid“Canto o homem que morreu, não o Deus que ressuscitou. Canto o homem enlameado, não o Deus que foi lavado. Canto o homem louco, não o Deus sensato”

Roberto Roversi e Lucio Dalla

Os cânticos do servo são o vértice do livro de Isaías e um dos trechos mais altos da literatura espiritual de todos os tempos. É um texto profético e poético admirável, capaz de conter as esperas e as esperanças da história que o precedeu e de prefigurar um homem e um Deus que ainda não existiam. Palavras improváveis, versículos que ninguém ainda tinha escrito, que não podiam ser escritas. No entanto, temo-los.

Leia mais...

Chamados a montar tendas

À escuta da vida / 23 – Para lá dos fracassos, «segundo dia» de qualquer vocação

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 27/11/2016

Maschere Corea“Terminado o Evangelho segundo Marcos, Espinosa preparou-se para ler um outro dos três evangelhos restantes; o pai dos Gutre pediu-lhe para repetir o que já tinha lido, para o compreender bem. … No dia seguinte, o pai falou com Espinosa e perguntou-lhe se Cristo se deixou matar para salvar todos os homens. Espinosa respondeu-lhe: «Sim. Para salvar todos do inferno.»… O pai e os dois filhos tinham seguido Espinosa. Ajoelharam no chão de pedra e pediram-lhe a bênção. Depois amaldiçoaram-no, cuspiram-lhe e empurraram-no até ao fundo do pátio. O barracão não tinha teto; tinham tirado as traves para construir a Cruz.”

J.L. Borges, "Il vangelo secondo Marco"

As nossas palavras mais importantes têm a capacidade de se tornarem história, carne, de se incarnarem na nossa vida.

Leia mais...

A maldição dos recursos

À escuta da vida / 22 – Cega-nos reduzir os profetas a «profissionais do império»

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 20/11/2016

Albero Seoul rid“Porquê os poetas em tempos de pobreza?”.

Friedrich Hölderlin, "Pane e vino"

“Corre, portanto, aos teus encantamentos e à multidão das tuas bruxarias, a que te entregaste desde a juventude! Vê lá se podem servir para esconjurares a desgraça. Apresentem-se agora e salvem-te os que conjuram o céu, os que observam os astros, e os que prognosticam cada mês o que vai acontecer… Deste modo, terminaram os teus adivinhos, com quem traficavas desde a juventude. Cada qual foge para onde pode, e nenhum deles te salva” (Isaías 47, 12-15).

O Segundo Isaías, neste belíssimo capítulo de profecia poética, anuncia a destruição de Babilónia. A sua soberba e o seu imperialismo (“Dizias a ti mesma: «Eu e mais ninguém!»”: 47, 8) estavam a conduzi-la à ruina. Na raiz deste iminente desmoronamento não está apenas a hybris típica de todos os impérios, nem apenas a idolatria que, nos capítulos precedentes, o profeta tinha colocado no centro da sua disputa.

Leia mais...

E que nunca alguém toque em Adão

À escuta da vida / 21 – Não se pode ser ciumento do nome e da presença de Deus

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 13/11/2016

Porta Appia Antica rid“Uma vez Baalschem invocou Sammael, o senhor dos demónios, para uma coisa necessária. Este gritou-lhe: ‘Como ousas invocar-me? Até agora, só me aconteceu três vezes: na hora da árvore, na hora do bezerro, na hora da destruição do templo. Baalschem ordenou aos discípulos para descobrir as cabeças. Então, Sammael viu, em cada fronte, o sinal da imagem, segundo a qual Deus cria o homem e fez o que lhe era pedido. Mas, antes de ir embora, disse: ‘Filhos do Deus vivo, permiti-me ficar ainda um pouco convosco, a contemplar as vossas frontes”.

Martin Buber, "Storie e leggende cassidiche"  [Histórias e lendas chassídicas]

O Ulisses de Homero e o de Dante dizem, ambos, a vocação e o destino do homem ocidental. Chamamento invencível da terra e da casa e, ao mesmo tempo, necessidade também invencível de repartir para novos mares desconhecidos. O mar a sulcar para voltar a casa, o mesmo mar que seduz e chama para novas partidas.

Leia mais...

As consolações da profecia

À escuta da vida / 20 – Fiéis ao povo e a Deus, mesmo quando parece vencido

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 06/11/2016

Fiore cigno rid“Não sou meu contemporâneo; nenhum poeta o é. Sou vosso contemporâneo; todo o poeta o é”

Giovanni Casoli, "Tutto è intimo"

Nahamù nahamù ‘ammì: «Consolai, consolai o meu povo» (Isaías 40, 1). Com estas palavras, começa a segunda parte do livro de Isaías. Uma obra de um autor anónimo, que se reconhece na escola do primeiro Isaías e que a tradição bíblica quis inserir com o mesmo título. Um autor diferente, que viveu cerca de dois séculos depois do primeiro profeta ‘filho de Amos’, mas não inferior ao primeiro por força profética e poética.

Leia mais...

Este é o lugar de Deus

À escuta da vida / 19 – É no mundo que se manifesta e aqui o encontramos

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 30/10/2016

Albero statua crop rid“Talvez um vestígio do rosto crucificado se esconda em cada espelho: talvez o rosto morreu, se apagou, para que Deus seja todos. Quem sabe se esta noite não o veremos nos labirintos do sonho e amanhã não o saberemos”

J. L. Borges, "L’artefice" [O artesão]

O valor da vida dos profetas não está na nossa capacidade de a imitar. São os falsos profetas que se apresentam como modelos a imitar; mas os profetas verdadeiros sabem que, se se mostram a si mesmos como a realização ética das palavras que anunciam, acabam por se tornar ídolos e, assim, obscurecer, como num eclipse, o seu ideal. Os profetas são preciosos se e enquanto inimitáveis e diferentes de nós. Isaías não salvou o seu povo através da imitação dos seus discípulos que, se se tivessem limitado a isso, teriam apenas redimensionado a sua mensagem a traído a sua memória. Os sinais e os gestos proféticos são poderosíssimos quando realizados pelos profetas, mas tornam-se paródias ou comédias quando os fazemos nós, para os imitar.

Leia mais...

Longe do ídolo insaciável

À escuta da vida / 18 – O consumismo impõe templos cheios de mercadorias e vazios de vida

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 23/10/2016

Abbraccio rid“Sem a fé, os nossos filhos nunca serão ricos; com a fé, nunca serão pobres”.

Beato Giuseppe Tovini, banqueiro

A fé bíblica é libertação. A aliança com YHWH foi, sobretudo, o grande caminho para fugir da escravidão dos impérios. Está aqui muito da capacidade inovadora e revolucionária da Bíblia: aceitar aliar-se com um Deus altíssimo, invisível, impronunciável, totalmente espiritual, foi o caminho para não se tornar súbditos de reis e faraós muito visíveis, materiais, pronunciáveis e pronunciados. Escravos de soberanos, com nomes ditos e repetidos em cada ângulo do reino, cuja imagem era reproduzida em muitas estátuas que desenhavam a paisagem do seu reino.

Leia mais...

A liberdade das mãos livres

À escuta da vida / 17 – A verdadeira natureza do dom é mestiça e subversiva, diferente de filantropia

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 16/10/2016

Spiaggia Recife 01 rid“Em todas as sociedades, a natureza peculiar do dom é a de obrigar”.

Marcel Mauss, "Saggio sul dono"

A função mais preciosa dos profetas não é a denúncia do mal que já nos aparece como mal, mas desmascarar os vícios que existem naquilo a que chamamos virtudes. É fácil compreender Isaías e solidarizar-se com ele quando critica a injustiça e os delitos dos poderosos; muito mais difícil é compreendê-lo a amá-lo quando critica as ofertas. Foi difícil no seu tempo, ainda mais difícil no nosso, quando sacrificámos os dons ao negócio dos presentes: “Qual de nós poderá permanecer neste fogo devorador? Qual de nós poderá habitar nesta fogueira sem fim?» Aquele que anda na justiça e fala a verdade, que recusa benefícios extorquidos pela violência, cuja mão rejeita o suborno” (Isaías 33, 14-15).

Leia mais...

Sub-categorias

BR- O novo léxico do bom viver social

O novo léxico do bom viver socialLogo nuovo lessico header

 

 

Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "O novo léxico do bom viver social", publicados em Avvenire de 29 de setembro de 2013 a 9 de fevereiro de 2014

 

BR - A árvore da vida

A árvore da vidaLogo Albero della vita header

 

 

Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "A árvore da vida" que comentam o livro do Gênesis, publicados em Avvenire de 16 de fevereiro até 3 de agosto de 2014

 

BR - As parteiras do Egito

As parteiras do EgitoLogo Levatrici d Egitto header

 

 

Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "As parteiras do Egito", que comentam o livro do Êxodo, publicados em Avvenire desde 10 de agosto de 2014

 

 

BR - A grande transição

A grande transição

 Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "A grande transição", publicados em Avvenire de 4 de janeiro a 8 de março de 2015

 

BR - Um homem chamado Job

Um homem chamado Job

Nesta categoria encontram-se os editoriais de Luigino Bruni da série "Um homem chamado Job" que comentam o livro de Job/Jó, publicados em Avvenire desde 15 de março 2015

 

BR - A aurora da meia-noite

A aurora da meia noite

Logo Geremia Crop 150Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "A aurora da meia-noite", comentando o livro de Jeremias, publicados em Avvenire a partir de 23 de abril de 2017

 

BR - As perguntas nuas

Logo QoheletNesta categoria estão disponíveis todos os artigos de Luigino Bruni da série "As perguntas nuas". São os comentários do livro de Eclesiastes publicados no Avvenire desde o dia 1 novembro de 2015.

BR - À escuta da vida

Spighe di grano rid modNesta categoria estão disponíveis todos os artigos de Luigino Bruni da série "À escuta da vida". São os comentários do livro de Isaías publicados no Avvenire.

 

BR - Regenerações

Regenerações

Logo rigenerazioni rid modNesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "Regenerações", publicados em Avvenire desde o dia de 26 de julho 2015

 

Siga-nos:

facebook twitter vimeo icon youtubeicon flickr

EoC-IIN

Logo Eoc iin 01 rid rid

International Incubating Network

leia mais...

Relatório EdC 2016

Cover Edc44 EN modUm ano de vida EdC, estratégias e perspectivas para o futuro. 

 Ir para a versão online

ANPECOM: o site!

Aderir a EdC

EoC Companies crop banner rid modCadastre a sua empresa no novo site exclusivo: edc-info.org

Descubra mais...

Cidade Nova e EdC

pessoas edc003A revista Cidade Nova tem agora uma página dedicada à Economia de Comunhão, com relatos de pessoas envolvidas com o projeto.

Artigos já publicados:

Escola interamericana reunirá jovens empreendedores - 10/2015
A Aurora de uma nova cultura
- 09/2015
Comunhão e a crise grega - 08/2015
John Nash e a EdC
- 07/2015
Dado empresarial e a prática dos valores da empresa
- 06/2015
Nairóbi, capital de uma nova economia
- 05/2015
EdC e a qualidade do produto
- 04/2015
O lucro não monetário
 - 03/2015
Confiança e análise de risco - 02/2015
Economia e humanismo - 01/2015

As parteiras do Egito

Logo Levatrici d Egitto rid modO comentário do Êxodo, dos editoriais de domingo no Avvenire, por Luigino Bruni

O trabalho das mãos - 21/12/2014
O véu do profeta
 - 14/12/2014
As costas e o rosto de Deus
- 07/12/2014
O peso das palavras comuns - 30/11/2014
O bezerro de ouro - 23/11/2014
O sétimo dia
- 16/11/2014
Palavras do Céu, palavras da terra
- 09/11/2014
O decálogo
- 02/11/2014
As palavras da terra
- 26/10/2014
Os familiares do profeta
- 19/10/2014
A gratuidade-manã
- 12/10/2014
A dança de Miriam
- 05/10/2014
Os muros do mar
- 28/09/2014
A libertação e os ídolos
- 21/09/2014
Pragas e impérios invisíveis
- 14/09/2014
Capatazes leais
- 07/09/2014
O céu e as pirâmides
- 31/08/2014
A vocação de Moisés - 24/08/2014
O grito-oração
- 17/08/2014
As parteiras do Egito
- 10/08/2014

A árvore da vida

Logo Albero della vita rid modO comentário sobre o Gênesis, através dos editoriais de domingo no Avvenire, por Luigino Bruni

A morte de Jacob - 03/08/2014
O filho reencontrado
- 27/07/2014
A reconciliação
- 20/07/2014
O perdão de José
- 13/07/2014
Vacas magras e vacas gordas
- 06/07/2014
A lealdade de José
- 29/06/2014
Judá e Tamar
- 22/06/2014
José, o sonhador
- 14/06/2014
A morte de Isaac - 08/06/2014
Dina, A Vingança e a Gratidão - 01/06/2014
Ferida e benção - 25/05/2014
A carestia de fundamento - 18/05/2014
O sonho e a vocação - 11/05/2014
Esaú e Jacob/Jacó - 04/05/2014
O 1º contrato - 27/04/2014
Isaac - 20/04/2014
Agar - 13/04/2014
Abraão - 06/04/2014 
Babel - 30/03/2014
Noé - 23/03/2014 
Caim e Abel - 16/03/2014 
A serpente - 09/03/2014
Troca de olhares - 02/03/2014 
Adam - 23/02/2014
A árvore da vida - 16/02/2014

O novo léxico do bom viver social


Logo nuovo lessico rid modAs "palavras" do Novo Léxico, dos editoriais dominicais em Avvenire por Luigino Bruni

Comunhão - 09/02/2014
Instituições
- 02/02/2014
Comunidade
- 26/01/2014
Tempo - 19-01-2014
Mansidão - 12/01/2014
Economia - 05/01/2014
Consumo - 29/12/2013 
Carismas - 22/12/2013 
Inovação - 15/12/2013 
Mercado - 08/12/2013
Bens comuns - 01/12/2013
Cooperação - 24/11/2013
Bens de experiência - 17/11/2013
Ponto crítico - 10/11/2013
Capitais - 03/11/2013
Pobreza - 27/10/2013
Bens relacionais - 20/10/2013
Bens  - 13/10/2013
Riqueza - 06/10/2013
Novo léxico - 29/09/2013

Ver versão online

O dado das empresas

Logo cube IT 150

A nova revolução para a pequena empresa.
Dobre! Jogue! Leia! Viva! Compartilhe! Experimente!

O dado das empresas agora também em português!

A economia da partilha

Chiara_Lubich_1Chiara Lubich

«Ao contrário da economia consumista,
baseada numa cultura do ter,
a economia de comunhão é
economia da partilha...

Leia mais...

Este site utiliza cookies, também de terceiros, para oferecer maiores vantagens de navegação. Fechando este banner você concorda com as nossas condições para o uso dos cookies.