Editoriais Avvenire92

 

 

Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni publicados em Avvenire (jornal de inspiração católica) desde julho de 2011

 

Jamais ofender os pobres

Editorial - Um debate incompetente

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire de 09/10/2018

181009 Mai offendere i poveri ridO primeiro e radical problema de quem escreve, legisla e trabalha com a pobreza é a incompetência, porque não sendo pobres, normalmente, não possuímos aquele conhecimento específico que só tem que está dentro de uma condição de pobreza. Os discursos e as ações sobre as pobrezas geralmente são ineficazes, quando não prejudiciais, pois a falta de competência faz com que sejam abstratos. Com certeza, não é por acaso que os dois maiores estudiosos da pobreza, Muhammad Yunus (prêmio Nobel pela paz) e Amartya Sen (prêmio Nobel pela economia) sejam provenientes respectivamente do Bangladesh e da Índia, e ambos venham de experiências de contato com as pobrezas verdadeiras e tenham sujado suas mãos para ajudar a fazer nascer instituições e projetos para diminuir as pobrezas (a Grameen Bank e o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas). Para entender e trabalhar com as pobrezas o bom senso não basta e, muitas vezes, produz muitos danos. Temos que, ao invés, trabalhar muito, fazendo de tudo para adquirir, com o estudo e com o contato com as pessoas às quais se deseja ajudar, as competências que não temos, mas que devem ser conquistadas.

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O trabalho sabe vencer a guerra

Maiores que a culpa / 10 – Os instrumentos humildes que acrescentam páginas ao livro da história

por Luigino Bruni

publicado em  Avvenire em 25/03/2018

Piu grandi della colpa 10 rid

«Transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices.
Uma nação não levantará a espada contra outra,
e não se adestrarão mais para a guerra»
Isaías 2,4

No livro da história que nos descreve fortes e prepotentes vencedores e débeis e pobres que sucumbem, encontram-se algumas páginas diferentes. São aquelas onde a ordem natural se altera, os humildes são elevados, os soberbos derrotados. Poucas páginas, mas a sua luz fulgurante ilumina todo o livro, transforma-o, muda-lhe o sentido, fazem a diferença. Outros relatos, que revelam uma segunda lei de movimento da humanidade. A do Magnificat de Ana e de Maria, da profecia do Emanuel, da pedra rejeitada, do servo sofredor-glorificado, do crucificado-ressuscitado, de Rosa Parks, de organizações corporativas e sindicatos que libertaram e libertam as vítimas dos impérios e dos faraós. Páginas que nos dizem que a ordem hierárquica natural não é a única possibilidade, que tudo pode acontecer, que nos é dada uma última oportunidade quando tudo e todos nos dizem que é impossível. É esta mesma lei frágil e tenaz que explica porque, no barulho das vozes fortes e poderosas, conseguimos, por vezes, escutar uma pequena voz diferente e a seguimos; porque, naquela vez soubemos acreditar mais numa única pequena razão para seguir em frente e não nas muitas razões mais fortes que nos diziam para nos render; ou porque, perante aquela encruzilhada crucial não entrámos no caminho do sucesso e do poder, mas no que sabíamos que nos tornaria mais pequenos e vulneráveis. Outras páginas, uma outra história, uma lei diferente. Um outro caminho, que tomámos porque, talvez, aí vislumbrámos a única possibilidade de uma salvação verdadeira, porque mais pequena; ou, talvez, porque fomos docilmente conduzidos apenas pelo nosso coração.

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A economia da pequenez

Maiores que a culpa / 9 – O trabalho nunca é um obstáculo às nossas vocações

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 18/03/2018

Piu grandi della colpa 09 rid«Uma vez, Rabbi Bunam rezou numa pousada. Mais tarde, disse aos discípulos: “Às vezes, julga-se que não seja possível rezar num lugar e procura-se outro. Mas esta não é a atitude correta. Porque o lugar abandonado queixa-se: porque não quiseste fazer as tuas orações em cima de mim? Se havia algo que te perturbava, isso era precisamente o sinal que tinhas a obrigação de me redimir”»

Martin Buber, Storie e leggende Chassidiche  [Histórias e lendas cassídicas]

O declínio de Saul cruza-se com a subida de David, estrela luminosíssima na Bíblia, talvez a mais luminosa no Antigo Testamento. É o personagem de quem conhecemos melhor o coração – uma palavra que, não por acaso, faz a sua aparição já no primeiro relato da sua vocação («o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração»: Samuel 16, 7).

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Herdeiros da tira do manto

Maiores que a culpa / 8 – Somos cidadãos duma terra parcial e incompleta

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 11/03/2018

Piu grandi della colpa 08 rid«É muito difícil encontrar, em toda a Bíblia, um único personagem, justo ou injusto, que não tenha sido desmentido por Deus, exceto talvez Abraão e Jesus. Mas exatamente com estes desmentidos, o homem de fé aprende a duvidar de toda a instituição que não se deixe contradizer»

Paolo De Benedetti I profeti del re  [Os profetas do rei]

Depois da consagração realizada por Samuel, Saul começa a desempenhar a sua missão de rei guerreiro, um início que marca a sua trágica sorte, narrada em páginas entre as mais excitantes e belas de toda a Bíblia: «Juntaram-se os filisteus para combater Israel, com trinta mil carros, seis mil cavaleiros. (…) Saul, entretanto, estava ainda em Guilgal com todo o seu povo, que tremia de medo. Esperou sete dias, segundo a ordem de Samuel. Mas este não chegava a Guilgal, e o povo, pouco a pouco, ia-se afastando. Disse, pois, Saul: «Trazei-me o holocausto e os sacrifícios de comunhão». E ele mesmo ofereceu o holocausto” (1 Samuel 13, 5-9).

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Os pactos são sangue e carne

Maiores que a culpa / 7 – A Aliança bíblica estabelece compromisso e perdão recíprocos

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 04/03/2018

Piu grandi della colpa 07 rid«Procurarei ajudar-te enquanto não fores destruído dentro de mim. Uma coisa, porém, se torna cada vez mais evidente para mim, isto é, que tu não podes ajudar-nos, mas que somos nós a ter de te ajudar… Também já posso perdoar a Deus, porque a situação é a que, certamente, deve ser. Que se possa ter tanto amor a ponto de poder perdoar a Deus!»

Etty Hillesum Diário, 1942

Em muitos episódios-chave da vida, não basta apenas um relato; é demasiado pouco. Para dizer o que aconteceu no dia em que somos conhecidos ou em que ouvimos chamar-nos pelo nome, uma única voz não basta. Temos de contar muitas vezes os momentos determinantes; temos de os contar a pessoas diferentes e, a cada uma, do seu modo. As coisas repetidas favorecem quem as conta e quem as ouve. Quando esta bio-diversidade falta, é negada ou é combatida, os nossos relatos empobrecem, o mistério da vida escapa-se-nos. A multiplicidade das histórias protege da ideologia, que se desenvolve quando é atribuído, a uma única narração, o crisma de verdade e a todas as outras o da heresia. Esta multiplicidade e variedade de relatos, geralmente, perturbam o homem moderno na busca de acordo nos dados históricos; mas, para o escritor bíblico, pelo contrário, é uma linguagem para mostrar a grandeza e a importância dos episódios que está a narrar. A não-avareza e a generosidade emergem também da abundância com que acompanha as suas histórias mais bonitas; como nas cartas de amor, onde os adjetivos se somam, para dizer um pouco o que não conseguimos dizer – a Bíblia é uma longa e única carta de amor dirigia a nós e que, frequentemente, permanece dentro do sobrescrito. A verdade é sinfónica, sempre.

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A unção das periferias

Maiores que a culpa / 6 – O entusiasmo profético acende-se na vida ordinária

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 25/02/2018

Piu grandi della colpa 06 c rid

«Os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão,
os vossos jovens terão visões
e os vossos anciãos terão sonhos»

Livro de Joel

A consagração de Saul, o primeiro rei de Israel, realiza-se, mais uma vez, dentro dos afazeres normais da vida. Saul afastou-se de casa à procura das jumentas perdidas, animais precisos para a economia do tempo. Durante esta normal missão de trabalho, o extraordinário irrompe na sua vida. Saul tinha saído de casa para ir trabalhar e voltou a casa ‘ungido do senhor’. Partiu procurando jumentas que não encontrou; encontrou, porém, uma vocação, uma missão, um destino que não procurava. Isto é um dos episódios maiores de serendipitismo, que não explica apenas porque sem ir pessoalmente à livraria nunca descobriremos os livros mais importantes que não procurávamos, que nos esperavam ali, ao lado dos menos importantes que procurávamos, mas que nos faz intuir algo da lógica profunda da vida espiritual. Os bens maiores da vida são os que não compramos, porque não estão à venda, os que não procuramos porque ainda não sabemos que existem, os que recebemos porque, simplesmente, somos amados.

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Os necessários guardas do quase

Maiores que a culpa / 5 – Reconhecer as encruzilhadas erradas da vida e reconciliar-se

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 18/02/2018

Piu grandi della colpa 05 rid

«Quero passar como uma tela
em que o olhar crucificado
extingue os ídolos»

Heleno OliveiraSe fosse verdadeira a noite

É muito comum que, para descrever a maior corrupção moral e espiritual, a Bíblia use palavras da economia. E fá-lo porque não há nada de mais espiritual e teológico que a economia, a política, o direito. A fé só fala com as palavras da vida. Então, não existem palavras mais verdadeiras para dizer a natureza e a qualidade da nossa vida espiritual que: salário, lucro, taxas, percentagem, aquisições, empresa. São as palavras mais teológicas e espirituais disponíveis ‘debaixo do sol’, que conferem verdade também às palavras da fé. Porque, se não sabemos dizer a espiritualidade com palavras da economia, do direito, da política, é muito provável que aquelas palavras espirituais sejam, de facto, orações aos ídolos, mesmo quando as pronunciamos, devotos, dentro dos templos, sinagogas, igrejas. A Bíblia e a sua verdadeira laicidade sabem isto muito bem – nós, hoje, sabemo-lo muito pouco, porque esquecemos a Bíblia e a laicidade.

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A civilização do dom homeopático

Maior que a culpa / 4 – Deus omnipotente e derrotado ensina a fé que muda tudo

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 11/02/2018

Piu grandi della colpa 04 rid«As mais belas poesias
escrevem-se nas pedras
com joelhos feridos
e as mentes aguçadas pelo mistério.
As mais belas poesias escrevem-se
diante de um altar vazio
cercado por agentes
da divina loucura.
Assim, louco criminoso como és
tu ditas versos à humanidade,
os versos do resgate
e as bíblicas profecias
e és irmão de Jonas»

Alda Merini, La Terra Santa

«Nessa altura, os Filisteus reuniram-se para combater contra Israel. Então Israel saiu ao encontro dos filisteus para lhes dar combate» (4, 1b). Depois da grandiosa e esplêndida noite da vocação de Samuel, muda o cenário e sobre Israel sopram ventos de guerra. Aparece um povo já conhecido de Israel, que o acompanhará e combaterá durante muitos séculos, os filisteus, um antigo povo dos mares que exerceu o domínio político e cultural sobre toda a região, associando-a ao seu nome (Palestina, Philistia: a terra dos filisteus). Muda a cena, talvez também a mão do narrador, mas permanecem alguns elementos de continuidade. Entre estes, Eli, os seus filhos e, sobretudo, a Arca.

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Viver é profissão maravilhosa

Maiores que a culpa / 3 – Pode-se permanecer justo quando débil. E escutar sem ter ouvido

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 04/02/2018

Piu grandi della colpa 03 rid«O Mestre disse:
“Quem faz da virtude
uma profissão
é a ruína da virtude”»

Os provérbios de Confúcio

Na terra existem muitas pessoas chamadas que respondem “eis-me aqui”, mesmo se não sabem reconhecer o autor da voz que os chama pelo nome. Ontem, hoje, sempre. Chamados por vozes interiores, diferentes e desconhecidas, que se erguem do amor e da dor do mundo. Nestas vocações, que acontecem todos os dias e em todos os âmbitos do humano, o que conta verdadeiramente é responder. Mas é maravilhoso quando, junto de nós, há um ‘Eli’ que, antes, nos devolve serenos à cama e, depois, nos revela o nome de quem continua a chamar-nos.

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Já cantores do ainda-não

Maiores que a culpa/ 2 – O dom dos filhos dados é a gramática da existência

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 28/01/2018

Piu grandi della colpa 02 rid«Dá-me de comer
dá-me de beber…
Fome é misterioso
chamamento
levanta e baixa aguenta deixa
seguro-te deixo-me.
Dá-me a água,
dá-me a mão
pois estamos
no mesmo mundo
.»

Chandra Livia Candiani, Dammi da mangiare  [Dá-me de comer]

Deus escutou e “recordou-se dela” (1 Samuel 1, 19), como se tinha recordado do seu povo escravo no Egipto, depois da primeira oração coletiva da Bíblia (Êxodo 2, 23). O Deus bíblico é um Deus que sabe escutar a todos, mas, sobretudo, as vítimas. Os ídolos são surdos e mudos porque estão mortos. YHWH está vivo porque tem um ‘ouvido’ e pode escutar e pode ser acordado do seu sono, despertado na sua desatenção, enquanto estamos no barco e há tempestade.

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A grande oração das mulheres

Maiores que a culpa / 1 – As palavras sem fôlego das vítimas valem mais que todas

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 21/01/2018

Piu grandi della colpa 01 rid«A Bíblia conhece o lamento. O lamento é um momento extremamente crítico na relação com Deus, enquanto Deus não console o homem e o homem não console Deus. Profecia e liturgia transportam os lamentos para a frente e para trás, entre o céu e a terra»

Paolo De Benedetti, La chiamata di Samuele e altre letture [A chamada de Samuel e outras leituras]

Começamos a leitura e o comentário dos dois livros de Samuel. E começa o tempo de uma alegria nova, a que, talvez, só o contacto interior com o imenso texto bíblico consegue, por vezes, dar. Sobretudo no início, no sábado da espera, naquela alegria matinal que inunda a alma, antes de saber se e quais palavras nascerão deste novo encontro com as palavras in-finitas da Bíblia. Antes de saber se e como seremos capazes de as tornar um discurso sobre o nosso tempo, sobre os nossos reinos, prantos, vocações, traições, orações.

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Os pobres anjos dos pobres

A aurora da meia-noite / 24 – Pesam mais as mutilações da alma que as do corpo

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 01/10/2017

171001 Geremia 24 crop rid«O dever para com o próximo não está confinado apenas aos que vivem ao nosso lado. A estabelecer uma ligação entre o samaritano e o israelita, são os próprios acontecimentos. Encontrando-se naquela situação, ele teve acesso a uma nova proximidade. No nosso mundo, são bem poucos os que não podemos julgar próximos de nós».

Amartya Sen, A ideia de justiça

A laicidade da Bíblia é algo muito sério, mas sempre muito longe da nossa vida de crentes e de “leigos”. O humanismo bíblico é, antes de mais, um discurso sobre a vida, sobre toda a vida, sobretudo a vida humana. A Bíblia fala muito de Deus, mas não nos fala apenas de Deus, porque nos fala, sobretudo, de nós. Porque nos diz que não há apenas Deus na vida: há a vida. O Deus bíblico sabe retrair-se, calar, para deixar espaço para nós. À nossa liberdade e à nossa responsabilidade. Não é um monopolista da nossa vida, não quer um culto contínuo e perpétuo – isto apenas o procuram e obtêm os ídolos. O Deus bíblico é um libertador; não nos liberta dos ídolos para nos subjugar a si – se o fizesse, seria um ídolo perfeito. Acelera processos, não ocupa espaços, nem sequer os sagrados, que frequenta pouco, porque ao templo prefere praça, a casa, a vinha. Mas, sobretudo, gosta de ver o que se passa debaixo do sol, seguir-nos com o olhar de esperança, no exercício pleno da nossa humanidade. Admira-se quando vê as nossas maldades, mas admira-se ainda mais perante a beleza das nossas ações, diante do espetáculo admirável da solidariedade e da fraternidade, sobretudo das solidariedades e fraternidades maravilhosas que começam no coração dos mais pobres e dos marginalizados.

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As areias movediças das ilusões

A aurora da meia-noite / 23 – Aceitar a verdade é reconciliação, não resignação

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 24/09/2017

170917 Geremia 23 1 ridCassandra: «Erro ou acerto no alvo como um arqueiro? Ou talvez seja um falso profeta que bate às portas para vender conversa? Sê minha testemunha e jura que estou reconhecendo as vilanias desta casa, antigas pela fama! (…) Mais uma vez, a terrível canseira de adivinhar verdades me ferve dentro, perturbando-me os seus prelúdios dolorosos”».

Ésquilo, Agamémnon

Quando, na vida, cultivámos uma grande ilusão, a gestão da desilusão é sempre muito complicada e extremamente dolorosa. Porém, se o tempo da ilusão foi vivido com boa-fé e durante muitos anos, quando se sente chegar o possível dia da desilusão, quase sempre preferimos ficar iludidos. Porque chamar a ilusão pelo seu verdadeiro nome significa ter de pronunciar palavras muito dolorosas para as poder dizer até ao fim: fracasso, (auto)engano, imaturidade, manipulação. E talvez bastasse compreender que a desilusão é o único bom florescimento da ilusão e vivê-la como uma passagem abençoada para dar bons frutos e, depois, concluir, na verdade, a nossa viagem debaixo do sol. Na luta entre ilusão e desilusão – a trata-se de autêntica agonia, sobretudo nas pessoas justas e honestas – o êxito depende decididamente de quem está ao nosso lado, na arena.

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O dom do segundo relato

A aurora da meia-noite / 22 – A vida que renasce não é apenas cópia da vida queimada

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 17/09/2017

170917 Geremia 22 rid«Se leio um livro e todo o meu corpo se torna tão frio que nenhum fogo pode aquecer, sei que é poesia». 

Emy Dickinson, de uma sua carta

Também a escrita pode ser atividade espiritual. Escreve-se de muitos modos, por muitas razões, escrevem-se coisas muito diferentes. Mas sempre houve e sempre haverá quem escreve, porque ouviu e acolheu uma voz interior. Sabem isto muito bem os poetas, que escrevem para responder a uma voz que fala e chama, e a sua poesia torna-se o fruto de um ‘sim’ a uma incarnação. Dizem-nos que a escrita é segunda porque, primeiro, há o dom de uma voz, de uma palavra, de um espírito. Existem muitas palavras ditas, mesmo palavras grandes e imensas, que não se tornam palavras escritas. Mas não existem escritas grandes e imensas que não sejam, antes, ditas na alma por uma palavra sussurrada. É esta dimensão vocacional e espiritual da palavra escrita que faz com que as outras nossas palavras escritas sem vocação possam ser, misteriosamente, verdadeiras ou, pelo menos, nem sempre nem totalmente falsas.

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O canto do arameu errante

A aurora da meia-noite / 21 – Verdade da vida e salvação encontram-se no caminho

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 10/09/2017

170910 Geremia 21 2 rid«Mesmo se a não lês, estás na Bíblia».

E. Canetti, Il cuore segreto dell'orologio  [O coração secreto do relógio]

Quando uma comunidade vive uma crise profunda, longa e de resultado incerto, o que está, verdadeiramente, em jogo é a ligação passado-futuro. Porque, se é verdade que é somente um bom futuro que torna bênção o passado, o resgata e o liberta da armadilha da saudade, é também verdade que, sem uma boa história de ontem para contar hoje, não se têm palavras novas para contar e nos recontar um amanhã bom e credível. As crises individuais e coletivas são carestias de futuro e carestias do passado, porque é a amizade entre o passado e o futuro que torna belo e fecundo o presente, em todas as fases da vida. Também quando está próximo o ocaso e a sombra do passado se torna longuíssima, as recordações nos alimentam e nos acompanham sempre, ao presente não basta apenas o passado, por muito grande e estupendo que seja. Devemos esperar uma palavra nova, rever o rosto de uma filha, que também hoje virá, ou esperar ver, finalmente, o rosto de Deus, guardado no desejo de toda uma vida. Para viver bem o tempo da crise é, então, indispensável ter um futuro entusiasmante que floresce de um presente reconciliado com o passado, vivido como dom e promessa, para além das feridas, das desilusões e dos fracassos. É na correta reciprocidade entre raízes e semente, entre bereshit e eskaton, onde se encontra, verdadeiramente, a possibilidade de continuar, agora, a gerar vida e futuro.

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A redenção da promessa

A aurora da meia-noite / 20 – É a gratuidade que prepara o futuro e nos salvará a todos

por  Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 03/09/2017

170903 Geremia 20 rid«Mesmo que soubesse que o fim do mundo é amanhã, ainda iria, hoje, plantar uma macieira».

Martinho Lutero

Depois dos grandes capítulos das consolações, bênçãos e das promessas, depois do anúncio da Nova Aliança, o livro de Jeremias volta à história do tempo do cerco dos babilónios e da iminente conquista e destruição de Jerusalém (ano 587). Dias terríveis, que nos acompanharão até ao fim do livro, onde se cumprem a profecia e a vida do profeta. A narrar-nos os factos e as palavras é Baruc, fiel companheiro e secretário de Jeremias, cujo nome, agora, desaparece do texto. Voltando à história, encontramos Jeremias prisioneiro do rei Sedecias. O tema da acusação já o conhecemos, porque é o coração da sua missão profética: “Porque profetizas desta forma: Assim fala o Senhor: 'Vou entregar esta cidade ao rei da Babilónia, que se apoderará dela'?” (Jeremias 32, 3). Estão, portanto, a realizar-se as profecias de Jeremias, negadas pelos falsos profetas, pelos chefes do povo e pelos sacerdotes do templo.

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A maior reciprocidade

A aurora da meia-noite / 19 – Juntos, no pacto-comunhão que muda a história

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 27/08/2017

170827 Geremia 19 rid«Mais tarde, aprendi – e continuo a aprendê-lo agora – que se aprende a crer só no pleno “ser - de cá” da vida. Quando se renunciou completamente a fazer de nós mesmos alguma coisa – um santo, um pecador arrependido ou um homem de igreja, um justo ou um injusto, um doente ou um são – e a isto eu chamo “ser - de cá”».

D. Bonhoeffer, Carta de 21 de Julho de 1944

Talvez não haja maior dom que o dom da esperança. É um bem primário. Podemos estar saciados de mercadorias e de todos os bens do conforto, mas morrer desesperados. Sempre, mas sobretudo quando atravessamos os desertos, a terra prometida aparece inatingível, o exílio infinito. Quem nos dá esperança, verdadeira e não vã, olha primeiro para os olhos do nosso desespero, atravessa-o e fá-lo seu. Luta contra as falsas esperanças, sofre todas as consequências e feridas da luta, resiste à dimensão de pietas humana que leva muitos a cair na tentação de oferecer falsas consolações – a si mesmos e aos outros. Os profetas, do meio da noite, anunciam-nos uma aurora verdadeira, que ainda não vemos, mas que podemos vislumbrar com os seus olhos. Como quando tudo em redor nos diz, desde há muito tempo, apenas morte e vanitas, e um amigo, um dia, nos fala de paraíso. E, desta vez, parece-nos, finalmente, tudo verdadeiro, para além dos paraísos artificiais que nos tinham enganado, na idade da ilusão. E é, finalmente, tudo graça, tudo charis, tudo gratuidade: “Vou curar as tuas chagas e sarar as tuas feridas” (Jeremias 30, 17).

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O exílio que é bênção

A aurora da meia-noite / 18 – A humanidade e o poder dos impérios visíveis (ou não)

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 20/08/2017

170820 Geremia 18 rid«Para os verdadeiros sábios, qualquer lugar do mundo é um exílio. É imaturo o homem que considera agradável apenas a sua pátria. Já é mais forte aquele para quem toda a terra é como o seu solo natal. Mais perfeito é o homem para quem todo o mundo é como uma terra estrangeira».

Hugo de São VítorDidascalicon, século XII

‘Arrancar e demolir, arruinar e destruir’ ouve ecoar Jeremias no dia da sua vocação profética. Mas, juntamente a estas palavras, ouve outras duas, diferentes e complementárias: ‘edificar e plantar’ (Jeremias 1, 10). Não basta anunciar cenários assustadores de desgraças para ser um profeta não-falso, porque a terra está cheia de pessoas que pintam, por vezes até mesmo de boa-fé, um presente e um futuro desesperado apenas para granjear o consenso dos muitos desesperados que se alimentam do desespero. Jeremias não ilude os seus conterrâneos, prometendo-lhes um bem-estar e uma paz imaginários; mas, enquanto profetiza esta verdade amarga e incómoda, sabe dizer palavras de esperança verdadeira e sublime.

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A profecia nunca tem incentivos

A aurora da meia-noite / 17 – É essencial reconhecer quem usa o passado para matar o futuro

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 13/08/2017

170813 Geremia 17 rid

«Não respondas ao insensato segundo a sua loucura, para não seres semelhante a ele.
Responde ao insensato segundo sua loucura, para que ele não se julgue sábio».

Provérbios 26, 4-5

Labuta é um dos nomes do trabalho. Travaglio, travail, trabajo, do latim trepalium, era um jugo para animais. Uma trave de madeira armada com cordas e laços. Recordava o braço horizontal duma cruz. Com o tempo, o jugo tornou-se o símbolo de submissão de animais e de pessoas, de escravidão. Os povos conquistaram a liberdade e justiça quebrando jugos de escravidão e libertaram-se destes trabalhos e destas tribulações. Ninguém gosta de ser subjugado, colocado, por outros, debaixo de um jugo. Somente a mensagem subversiva e radical de Jesus de Nazaré podia usar a imagem do jugo para exprimir a ligação entre ele e os seus discípulos: leve e suave, mas sempre um jugo. Talvez, ao usar esta imagem paradoxal, o evangelista pensasse, também aqui, em Jeremias: “A palavra do Senhor foi dirigida a Jeremias, nestes termos: «Isto me disse o Senhor: Faz um laço e um jugo e coloca-os ao pescoço»” (Jeremias 27, 1-2).

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Para além do deserto de palavras traídas

A aurora da meia-noite / 16 – Reconhecer e enriquecer a família profética da terra

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 06/08/2017

170806 Geremia 16 rid«Uma vez, Rabbi Mosche Kobryn disse: ‘Vejo que todas as palavras que eu disse não encontraram nem sequer um que as tenha escutado com o coração. As palavras que saem do coração vão, na verdade, para o coração; mas, se não encontram nenhum, então, ao homem que as disse, Deus concede a graça de elas não ficarem a vaguear, mas que regressem todas ao coração donde saíram’… Algum tempo depois da sua morte, um amigo disse: ‘Se tivesse tido a quem falar, ainda viveria’»

Martin Buber, Storie e leggende chassidiche   [Histórias e lendas chassídicas]

Embora cada profeta tenha a sua personalidade única e o seu nome próprio, a profecia é uma experiência coletiva. Forma uma comunidade, uma tradição e, quem chega, continua o mesmo percurso, combate as mesmas batalhas, dá novas palavras à mesma voz. Cada profeta verdadeiro é gerado pelos profetas que o precederam e alimenta os profetas que virão depois dele. Esta cadeia geradora espiritual é a raiz da fidelidade à palavra porque cada profeta sabe que está a escrever um capítulo de um livro que será completado por outros/as e, se àquele capítulo, faltam palavras, ou se tem palavras parciais ou emendadas, quem continuar a escrita encontrará entre mãos um material adulterado, não terá à disposição palavras necessárias para escrever as próprias, e o final será mais pobre e errado.

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O cântico das vozes diferentes

A aurora da meia-noite / 15 – A grandeza de Deus livra-nos de contar apenas os nossos sonhos

por Luigino Bruni

publicado em Avvenire em 30/07/2017

170730 Geremia 15 rid

«Da imagem tensa / espreito o instante / com iminência de espera - / e não espero ninguém: na sombra acendida / espio o sino / que, impercetível difunde / um pólen sonoro – / e não espero ninguém:
entre quatro muros / pasmados de espaço / mais que um deserto / não espero ninguém:
mas deve vir / virá, se resisto, / a florescer não visto, / virá de improviso, /quando menos o sinto:
virá quase perdão / de quanto faz morrer, / virá a dar-me a certeza / do seu e meu tesouro,
virá como restauro / das minhas e suas penas. / virá, talvez já venha / o seu sussurro»

Clemente Rebora, Dall’imagine tesa   [Da imagem tensa]

A falsa profecia, em boa-fé, talvez seja a mais abundante debaixo do sol e entre as mais perigosas. Sempre existiram e ainda existem falsos profetas de má-fé, que não são voz de nenhuma voz e sabem-no muito bem. Mas também há falsos profetas, em boa-fé, que não são voz de nenhuma voz e não o sabem, e confundem a “voz de Deus” com as próprias fantasias, emoções e pensamentos. Os falsos profetas não são todos rufias e impostores; entre eles, existem também pessoas autoconvencidas de serem profetas sem o ser.

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Sub-categorias

BR- O novo léxico do bom viver social

O novo léxico do bom viver socialLogo nuovo lessico header

 

 

Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "O novo léxico do bom viver social", publicados em Avvenire de 29 de setembro de 2013 a 9 de fevereiro de 2014

 

BR - A árvore da vida

A árvore da vidaLogo Albero della vita header

 

 

Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "A árvore da vida" que comentam o livro do Gênesis, publicados em Avvenire de 16 de fevereiro até 3 de agosto de 2014

 

BR - As parteiras do Egito

As parteiras do EgitoLogo Levatrici d Egitto header

 

 

Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "As parteiras do Egito", que comentam o livro do Êxodo, publicados em Avvenire desde 10 de agosto de 2014

 

 

BR - A grande transição

A grande transição

 Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "A grande transição", publicados em Avvenire de 4 de janeiro a 8 de março de 2015

 

BR - Um homem chamado Job

Um homem chamado Job

Nesta categoria encontram-se os editoriais de Luigino Bruni da série "Um homem chamado Job" que comentam o livro de Job/Jó, publicados em Avvenire desde 15 de março 2015

 

BR - A aurora da meia-noite

A aurora da meia noite

Logo Geremia Crop 150Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "A aurora da meia-noite", comentando o livro de Jeremias, publicados em Avvenire a partir de 23 de abril de 2017

 

BR - As perguntas nuas

Logo QoheletNesta categoria estão disponíveis todos os artigos de Luigino Bruni da série "As perguntas nuas". São os comentários do livro de Eclesiastes publicados no Avvenire desde o dia 1 novembro de 2015.

BR - À escuta da vida

Spighe di grano rid modNesta categoria estão disponíveis todos os artigos de Luigino Bruni da série "À escuta da vida". São os comentários do livro de Isaías publicados no Avvenire.

 

BR - Regenerações

Regenerações

Logo rigenerazioni rid modNesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "Regenerações", publicados em Avvenire desde o dia de 26 de julho 2015

 

BR - Maiores que a culpa

Maiores que a culpa

Logo Geremia Crop 150Nesta categoria encontram-se todos os editoriais de Luigino Bruni da série "Maiores que a culpa", comentando o livro de Samuel, publicados em Avvenire a partir de 21 de janeiro de 2018

 

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Castelgandolfo (Roma), 2-4 de novembro de 2018 - informações 
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Cidade Nova e EdC

pessoas edc003A revista Cidade Nova tem agora uma página dedicada à Economia de Comunhão, com relatos de pessoas envolvidas com o projeto.

Artigos já publicados:

Escola interamericana reunirá jovens empreendedores - 10/2015
A Aurora de uma nova cultura
- 09/2015
Comunhão e a crise grega - 08/2015
John Nash e a EdC
- 07/2015
Dado empresarial e a prática dos valores da empresa
- 06/2015
Nairóbi, capital de uma nova economia
- 05/2015
EdC e a qualidade do produto
- 04/2015
O lucro não monetário
 - 03/2015
Confiança e análise de risco - 02/2015
Economia e humanismo - 01/2015

As parteiras do Egito

Logo Levatrici d Egitto rid modO comentário do Êxodo, dos editoriais de domingo no Avvenire, por Luigino Bruni

O trabalho das mãos - 21/12/2014
O véu do profeta
 - 14/12/2014
As costas e o rosto de Deus
- 07/12/2014
O peso das palavras comuns - 30/11/2014
O bezerro de ouro - 23/11/2014
O sétimo dia
- 16/11/2014
Palavras do Céu, palavras da terra
- 09/11/2014
O decálogo
- 02/11/2014
As palavras da terra
- 26/10/2014
Os familiares do profeta
- 19/10/2014
A gratuidade-manã
- 12/10/2014
A dança de Miriam
- 05/10/2014
Os muros do mar
- 28/09/2014
A libertação e os ídolos
- 21/09/2014
Pragas e impérios invisíveis
- 14/09/2014
Capatazes leais
- 07/09/2014
O céu e as pirâmides
- 31/08/2014
A vocação de Moisés - 24/08/2014
O grito-oração
- 17/08/2014
As parteiras do Egito
- 10/08/2014

A árvore da vida

Logo Albero della vita rid modO comentário sobre o Gênesis, através dos editoriais de domingo no Avvenire, por Luigino Bruni

A morte de Jacob - 03/08/2014
O filho reencontrado
- 27/07/2014
A reconciliação
- 20/07/2014
O perdão de José
- 13/07/2014
Vacas magras e vacas gordas
- 06/07/2014
A lealdade de José
- 29/06/2014
Judá e Tamar
- 22/06/2014
José, o sonhador
- 14/06/2014
A morte de Isaac - 08/06/2014
Dina, A Vingança e a Gratidão - 01/06/2014
Ferida e benção - 25/05/2014
A carestia de fundamento - 18/05/2014
O sonho e a vocação - 11/05/2014
Esaú e Jacob/Jacó - 04/05/2014
O 1º contrato - 27/04/2014
Isaac - 20/04/2014
Agar - 13/04/2014
Abraão - 06/04/2014 
Babel - 30/03/2014
Noé - 23/03/2014 
Caim e Abel - 16/03/2014 
A serpente - 09/03/2014
Troca de olhares - 02/03/2014 
Adam - 23/02/2014
A árvore da vida - 16/02/2014

O novo léxico do bom viver social


Logo nuovo lessico rid modAs "palavras" do Novo Léxico, dos editoriais dominicais em Avvenire por Luigino Bruni

Comunhão - 09/02/2014
Instituições
- 02/02/2014
Comunidade
- 26/01/2014
Tempo - 19-01-2014
Mansidão - 12/01/2014
Economia - 05/01/2014
Consumo - 29/12/2013 
Carismas - 22/12/2013 
Inovação - 15/12/2013 
Mercado - 08/12/2013
Bens comuns - 01/12/2013
Cooperação - 24/11/2013
Bens de experiência - 17/11/2013
Ponto crítico - 10/11/2013
Capitais - 03/11/2013
Pobreza - 27/10/2013
Bens relacionais - 20/10/2013
Bens  - 13/10/2013
Riqueza - 06/10/2013
Novo léxico - 29/09/2013

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O dado das empresas

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A nova revolução para a pequena empresa.
Dobre! Jogue! Leia! Viva! Compartilhe! Experimente!

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A economia da partilha

Chiara_Lubich_1Chiara Lubich

«Ao contrário da economia consumista,
baseada numa cultura do ter,
a economia de comunhão é
economia da partilha...

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