Mensagem dos jovens "De São Paulo para o Mundo"

Mensagem dos jovens “De São Paulo para o mundo”

Que a economia de 2031 seja de comunhão, para nós e para todos

110529_SPaolo_sala02_rid_mod(veja também o vídeo que registrou esse momento)

  • Logo_Brasile_2011 PREMISSA
    Ao final da Assembleia 2011 da Economia de Comunhão na liberdade (EdC), por ocasião dos 20 anos do início do projeto, nós todos que participamos, em particular nós jovens, sentimos a responsabilidade de lançar uma mensagem “De São Paulo para o mundo”, a todos aqueles que acreditam, desejam e se comprometem em viver por um sistema econômico mais justo e solidário.

ACREDITAMOS
Nós acreditamos que:

* A economia e as empresas devem assumir, ao lado dos princípios da liberdade e da igualdade, também o princípio da fraternidade. Dessa forma, a economia dará a sua contribuição para que se realize plenamente a dignidade da pessoa humana e a dignidade de cada povo. Consequentemente, será possível dar sentido à própria vida e ao desejo de felicidade escondido no coração de cada mulher e de cada homem;

* Não podemos e não queremos mais suportar a existência de mais de um bilhão/mil milhões de pessoas que ainda hoje vivem em condições de pobreza absoluta. Nós não podemos e não queremos ter paz até que cada pessoa na face da Terra não tenha o necessário para uma vida decente, para viver a vida que ama, para desenvolver suas potencialidades e capacidades, para cultivar os seus sonhos individuais e coletivos. Mas acreditamos também que é preciso, sobretudo mulheres e homens novos, que todos os dias escolham estilos de vida solidários e sóbrios, que usem a sua criatividade, também no campo empresarial e institucional, compartilhando seus talentos, arriscando e amando de modo concreto em suas vidas.

* Que seja possível construir uma economia que leva a sério o princípio da fraternidade, que aplicado na esfera econômica se chama comunhão, pelo menos por quatro motivos:

1. A presença de uma economia de fraternidade já pode ser vista nas escolhas quotidianas de comunhão de bens e sobriedade de milhões de pessoas que vivem, em diversos níveis, a mesma espiritualidade da unidade e a mesma cultura que anima o projeto da EdC, a cultura do dar e da reciprocidade;
2. O mesmo espírito de fraternidade também está presente nas experiências das centenas de empresas do projeto EdC que, não obstante as dificuldades e os fracassos pequenos ou grandes, permanecem fiéis aos valores da EdC através da distribuição dos lucros em favor dos irmãos em dificuldades, para a criação de postos de trabalho e para a difusão de uma ‘cultura do dar’; e fundamentam as suas escolhas relacionadas com a gestão no respeito ao cliente, ao trabalhador, ao fornecedor e à sociedade civil;
3. É possível encontrar no mundo a presença do mesmo espírito de comunhão e de fraternidade em muitas experiências de economia social, civil e solidária. É um múltiplo movimento em contínuo crescimento que afirma, em linguagens diferentes, que outra orientação pós-capitalista para a economia de mercado é possível, se quisermos e nos comprometermos todos, juntos e imediatamente.
4. Enfim, acreditamos que uma economia de comunhão é possível porque em cada homem e em cada mulher da Terra a vocação para a comunhão e para o amor está “escrita no mais profundo do seu ser, quer tenha fé ou não”, como nos disse Chiara Lubich. Somente uma economia desse tipo pode satisfazer plenamente a nossa busca de felicidade, individual e pública.

PEDIMOS
Com esta tríplice fé, nós jovens da EdC, representantes de milhares de jovens e de adultos de várias culturas, países, religiões, condições econômicas e sociais, queremos também pedir mudanças concretas, aqui e agora.

1. Nos últimos anos o desenvolvimento econômico foi poluído pelo comportamento eticamente discutível de uma finança sem regras que criou grandes danos, chegando ao ponto de colocar em risco o funcionamento do próprio sistema. O mecanismo econômico e financeiro ocidental permanece estruturalmente frágil e requer novas regras que sejam capazes de reconduzi-lo às suas insubstituíveis funções para o bem comum. Por isso, nós pedimos aos governos dos paises para:

• envolver a sociedade civil nas políticas para o desenvolvimento, começando pela família, valorizando o trabalho em part time, com atenção para com a infância e a assistência aos familiares idosos ou com necessidades especiais;
• favorecer juridicamente o trabalhador assalariado, as famílias com filhos menores e a proteção do ambiente;
• desencorajar, também com instrumentos fiscais, as transações financeiras altamente especulativas;
• combater a evasão fiscal, eliminar os “paraísos fiscais” e reduzir os gastos militares desnecessários para a proteção dos povos;
• abolir as barreiras alfandegárias para os produtos dos países que respeitam o trabalho e o ambiente.

2. Por isso, pedimos a todos os cidadãos do mundo, começando por nós, presentes hoje aqui em São Paulo, que se esforcem com convicção renovada e novo empenho, também sob o plano político, jurídico, institucional, em favor de uma economia onde, juntamente com os princípios co-essenciais de liberdade e igualdade, exista também um espaço concreto para as exigências da fraternidade entre pessoas e entre povos, favorecendo com as próprias escolhas de consumo e de economia aquelas empresas geridas eticamente e que investem parte significativa dos seus lucros para o bem comum. De fato, a EdC está a nos dizer que o lucro das empresas tem uma natureza e uma vocação social.

3. A EdC, desde o início, atribuiu uma grande importância à formação de “homens novos”. Por isso nós pedimos:

a. Que nos currículos das escolas fundamentais/básicas e médias sejam inseridos cursos de educação orientados ao ambiente, à legalidade, à educação para a fraternidade e para a globalidade, que favoreçam a integração, a paz, a comunhão e a unidade entre os povos, reduzindo assim o risco de futuras guerras e a destruição do planeta.

b. Que aumentem significativamente os esforços por parte das universidades dos países com mais recursos financeiros e culturais para realizar, no respeito recíproco, o intercâmbio de docentes com as outras universidades do mundo, visto que não existe futuro para os jovens sem formação de alta qualidade.

c. Que nas faculdades de economia e de ciências políticas e sociais seja reconhecido o ensino de visões e teorias econômicas diferentes daquelas que hoje são predominantes.

CONCLUSÃO

Nós jovens temos a consciência de que somos a primeira geração na história da humanidade que corre o sério risco, em escala global, de ter um futuro pior que aqueles que tiveram os nossos pais, por causa das feridas profundas infligidas neste último século ao ambiente, ao ar, à água, às energias não renováveis.
Ainda, uma crescente ideologia individualista, xenófoba e não solidária se vislumbra no horizonte da nossa civilização pós-moderna. Ao mesmo tempo, confiamos e temos a certeza de que a Providência existe e opera na história, e que também nós podemos ter um futuro melhor que o passado e acreditamos que a EdC tenha vindo à Terra, a esta Terra brasileira vinte anos atrás, para alimentar e tornar possível esta nossa esperança.
 
Por tudo isso, nós jovens reunidos em São Paulo no mês de maio de 2011, enraizados na EdC de 1991, e como nunca interessados e responsáveis por como serão a economia e o mundo em 2031, acreditamos que se estas nossas convicções, esperanças, empenhos, desejos forem compartilhados por muitos homens e mulheres de todos os continentes e se os nossos e os seus comportamentos quotidianos forem coerentes com essa corrente, a aspiração de uma economia não só eficiente e justa, mas também fraterna, não será uma simples utopia.

Nós participantes da assembleia EdC de São Paulo, mesmo se fossemos os únicos, nos empenhamos solenemente a agir assim, estabelecendo um pacto entre nós, certos que muitos outros se unirão e estarão ao nosso lado, porque estamos convencidos que a comunhão é a vocação profunda de cada pessoa, empresa, comunidade.

“Que todos sejam um”.

São Paulo, 29 de maio de 2011

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