O extraordinário no ordinário...

O jogo do bem

O testemunho de Lucas Longhi, jovem empresário da EdC, no acompanhamento de um de seus empregados na luta para superar o vício no jogo.

por Carolina Carbonell

160419 lucas1Enquanto no Brasil, a Anpecom está fazendo a campanha: Diga não aos Jogos de azar, que convida os brasileiros assinarem uma petição, Lucas Longhi, jovem administrador argentino de uma empresa de EdC que gere alguns bares, se empenhou em uma operação 1x1, colocando-se “em jogo” por um de seus funcionários:

"Como faço todos os dias, saí de casa cedo e acompanhei minha esposa para pegar o ônibus, antes de ir até um dos bares que gerencio. Após a minha chegada, notei que um dos empregados não tinha chegado, comecei a fazer o seu trabalho com os outros, e deixei as minhas tarefas para depois."

O rapaz em questão já tinha faltado ao trabalho outras vezes. Eu sabia que ele ia muitas vezes ao casino da cidade, então eu fui lá para procurá-lo. Ao longo do caminho me perguntava quais seriam as palavras certas para confrotá-lo e procurava a sensibilidade e sabedoria necessárias. Eu não sabia qual seria a sua reação. Assim que entrei, o encontrei sentado, concentrado na frente de uma caça-níquel. Aproximei-me devagar e o cumprimentei. Suas primeiras palavras foram: "Eu preciso de sua ajuda, Lucas, estou doente." Eu respondi: "Não se preocupe, nós vamos sair dessa juntos. "            

Naquele momento, ele decidiu parar de jogar. Fomos fazer alguns procedimentos para auto-exclusão (sistema que proíbe, a pedido do jogador, a sua entrada no casino). Ele estava envergonhado e triste por não ser capaz de vencer este vício. Eu estava tentando ser cuidadoso com as palavras de modo a não fazê-lo sentir-se pior. Quando terminamos o procedimento convidei-o para tomar um café para conversarmos com calma.

A partir desse momento começou uma estrada difícil para ele. O vício do jogo, como em qualquer outro vício, requer enormes esforços para sair dele. Eu senti que eu tinha que fazer mais, colocando para trabalhar a minha imaginação. Durante dois meses eu liguei para ele todas as manhãs, antes do horário de trabalho, e fui visitá-lo todas as noites na saída de seu turno, para me certificar de que ele não iria para o casino.

Se passaram mais ou menos quatro meses. Um dia desses ele faltou novamente ao trabalho, mas desta vez eu não fui procurá-lo no casino. Foi ele que me disse no dia seguinte que tinha estado lá. Era necessário novamente usar a imaginação. Fomos juntos ao casino, ali ele renovou a sua auto-exclusão por mais um período e eu também solicitei a minha auto-exclusão, afirmando que eu também ia lá algumas vezes e não queria mais fazer isso. Também fomos a uma psicóloga especializada, que lhe forneceu algumas sessões de terapia.

Eu não sei se ele ainda vai para a terapia ou não. E imagino que não seja fácil parar de jogar de um dia para outro. Sinto que foi importante ter um relacionamento já construído porque não é possível falar sobre essas coisas, se não existir como base uma relação próxima e verdadeira.

Essa foi uma experiência única, difícil e dolorosa para ambos. Mas sou grato por ter vivido essa experiência.160419 lucas2

Sentimos que faz parte do caminho da nossa empresa cuidar das pessoas que encontramos, porque ela nos oferecem suas capacidades e também seus problemas, e sentimos que não podemos ficar parados ou resolver os problemas com a lógica do mercado, queremos ser criativos e criar novas maneiras de resolver os conflitos, olhando sempre o outro".

Se alguém perguntar a essas pessoas que constroem a economia de comunhão, porque elas trabalham, porque criam e administram empresas, certamente responderiam, "não apenas para acumular bens, mas para ganhar as pessoas".

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